sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

PRESERVATIVO: USAR OU NÃO USAR?


Por volta de quatro anos atrás escrevi sobre esta temática, tentando fugir da superficialidade, do simples pode e não pode e construir uma reflexão mais aprofundada.

O tema continua sendo um desafio atual para a Igreja e cabendo sempre mais reflexões. Podemos dizer que o uso da camisinha garante um “Sexo Seguro”? Certamente não. Segurança na relação começa propriamente no conhecimento entre as pessoas. “Ficar”, beijar, namorar sem conhecer profundamente o outro é no mínimo imprudência.

A moral Cristã defende a castidade, reconhecendo o valor e a beleza da relação sexual quando dentro do casamento, e no caso dos casais a fidelidade está na primazia.

Mas o que dizer e como proceder para com as pessoas que não conseguem viver segundo as orientações da moral Cristã? Não temos condições de forçar todos a viverem segundo nossa orientação. Vamos então condená-los? Chamá-los de incapazes de conversão? Virar as “costas” para eles?

Contempla bem esse contexto, a teologia moral, a moral da vida assim reflete: preservar a própria vida e a dos outros é dever de todo ser Humano. Do Cristão mais ainda, pois Cristo veio para que todos tenham vida e vida em abundância. Seria muito importante que as pessoas fossem honestas, transparentes e livres, construindo na base do respeito e da solidariedade relacionamentos fortes e duradouros.

No dia que o ser humano tomar consciência do valor do seu corpo e do corpo do outro, e conseguir esta relação baseada no amor, a vida será diferente.

E neste sentido, Pe José Transferetti, em artigo na Revista Vida Pastoral Afirma: “ a chave para a vida em abundância e saudável não é a obediência cega a normas morais de quem quer que seja, mas a própria consciência, enquanto sacrário, lugar de graça e do amor de Deus”. A escolha é sua, as conseqüências, da mal escolha, além de lhe atingir ainda atinge os outros.
O Pe. Vai mais longe: “O uso do preservativo sob determinadas circunstância, é descrito atualmente como algo que preserva a vida... A Igreja Católica entende que, em alguns casos, o uso do preservativo pode se tornar até uma obrigação moral”. Isso, porém, não é razão para promover uma permissividade e promiscuidade em nome de um “sexo seguro” e do uso de preservativo.

Talvez aqui caiba um exemplo para uma melhor compreensão: a esposa é soro positivo, o esposo não, eles mantêm relações sexuais com o uso de preservativos mesmo numa casa de convivência católica, porém existe algo a mais – um acompanhamento integral, rigoroso e amoroso ao casal.

Nos nossos tempos, realmente as pessoas precisam ser críticas e capazes de raciocinar e decidir por si mesmas. Disse ainda o Pe. Trasferetti: “Precisamos de pessoas esclarecidas, e não de robôs que seguem opiniões de padres, agente de pastorais, professores e tantas outras que fingem saber o que não sabem. Basta de falsas explicações e de hipocrisia”.
Isso é verdade, mas também não se pode em nome de um decidir por si mesmo, fazer “besteiras” e gerar morte e sofrimentos. É preciso uma autonomia capaz de tomar decisões e se responsabilizar pelas conseqüências delas.

Portanto, não sei se ainda sou retrógrado, atrasado, ou mesmo incapaz de aceitar avanços que para algum são tão óbvios, mas para mim ainda obscuro. Insisto em dizer que a postura da Igreja em manter-se pregando os valores humanos acima de qualquer método moderno ainda apresenta-se como o caminho mais viável.

O que pode está necessitando, por parte da Igreja, talvez seja de um aprofundamento sobre questões como esta que nos confronta com a vida concreta e com a vivência diária na busca de uma vida cada vez mais humana, cada vez mais divina, cada vez mais amável e feliz.

sábado, 7 de janeiro de 2012


HOMILIA DO DOMINGO DA EPIFANIA – 08/01/2011


Pe. José Renato Peixinho

Neste domingo da Epifania do Senhor, celebramos mais uma vez o nascimento de Jesus. Ora, o nascimento de Jesus é celebrado no Natal. Repete-se então está celebração na Epifania?

Na verdade há uma diferença singular, no Natal, celebramos de modo bem concreto “o Menino nasce em Belém, na manjedoura, e consequentemente em nosso coração”; Na Epifania, é um nascimento mais missionário, a celebração natalina agora quer se concretizar de fato em nós e nos enviar á missão.

Assim como os magos só sossegaram quando encontraram e adoraram o menino, nós somos convidados a buscar sempre encontrar Cristo, uma vez o encontrado, com certeza não deixaremos de anunciá-lo.

A visita dos Magos do oriente com seus presentes valiosos e sua adoração ao Menino Deus evidencia a universalidade da salvação trazida por Cristo, Ele vem para todos os povos em qualquer parte do mundo.

Mesmo sendo maiores sábios de suas terras, prostraram-se e adoraram a Sabedoria plena: o Cristo Salvador. Graças a adesão à sua luz e em mais um gesto de obediência voltaram por outro caminho e salvaram o Cristo das garras do perigoso Herodes.

Não esqueçamos! Mesmo em um lugar tão humilde e pobre os Reis Magos encontraram razões para adorar o Senhor. Será que nós procuramos o Senhor no lugar onde ele realmente se encontra?...

Portanto, não deixemos de buscar o nosso encontro verdadeiro, íntimo e pessoal com Cristo. Se conseguirmos fazer isso, certamente seremos, anunciadores e vivenciadores do amor do mesmo Cristo. Ele nasce hoje em nossa vida e nos envia à missão. Sejamos homens e mulheres, católicos e católicas de luz. O Cristo quer e precisa de nós para irradiar a sua luz em um mundo que clama nas trevas.

Louvando seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A INCRÍVEL INVERSÃO DE VALORES

Depois que ouvi o depoimento de uma senhora comecei a pensar seriamente sobre os valores da “modernidade”. Ela, com 50 anos de casada, foi considerada muito atrasada, por algumas jovens que acharam um absurdo ter que aturar um mesmo homem por 50 anos.


Em outro caso, a mulher foi chamada de louca, ignorante, retardada... por muitas pessoas, inclusive médicos, por estar grávida do seu quarto filho em apenas seis anos de casada. (Sabe-se que há países onde ter mais de um filho é crime)

Casar? Para quê? Há! Os amigos merecem uma festa! Mas é melhor juntar os “panos” se não der certo é só separar! Ainda tem gente que se preserva virgem até o casamento, esse parece o maior dos absurdos.

Não quero aqui defender necessariamente a virgindade sexual e muito menos o casamento religioso, mas quero lembrar que são inúmeros os jovens, sobretudo do sexo feminino, que sofrem muito por ter se entregado de corpo e alma tão cedo. Corações dilacerados, traumas para o resto da vida, gravidez indesejada, corpos contaminados de químicos anticépticos, doenças terríveis, assassinato de criancinhas ainda na barriga, mães solteiras, crianças órfãs, são algumas das conseqüências do uso dos corpos pelo bem prazer e como objeto.

Lembro ainda do homem considerado por muitos como idiota, por ter devolvido um pacote de 100 mil reais que encontrou.

Como ficam as religiões neste contexto? Ainda há espaço para pregar e acreditar no valor da honestidade, da fidelidade no matrimônio, da relação sexual como algo Divino, do corpo como Sagrado e Templo de Deus, dos filhos como sinal de bênçãos, da pobreza como virtude...?

Às vezes, me sinto um “peixe fora d`água” por acreditar buscar e viver sonhos e ideais que parecem contrários aos pensamentos e sistema vigentes.

Mesmo assim, Prefiro ser considerado retrógado em vez de moderno, prefiro ser considerado radical ou mesmo louco, prefiro ser contra esta sociedade cruel e desumana que a cada dia parece consolidar-se.

Acredito estar no caminho certo, apesar de parecer contrário, espero ser iluminado pelo Espírito Santo e encontrar as respostas em Deus e na sua Palavra. Rezemos para que Deus e seu Ensinamento sejam o verdadeiro critério e guia da humanidade.

sábado, 30 de julho de 2011

DEUS VIROU MERCADORIA!

Vivemos em um tempo onde o consumismo é supervalorizado, a ponto de determinar os valores: as coisas que as pessoas possuem e consomem as determinam quem são. Tudo tornou-se mercadoria: o ser humano, a terra, as sementes, a vida e até Deus.
Os lugares tradicionais de sociabilidade como trabalho, praças, cafés, sindicatos e também a Igreja predem seu espaço para o individualismo exacerbado; pode-se conseguir “tudo sozinho”. A realidade reduz-se a si mesmo. Esvazia-se as alteridades. A imagem de Deus fica refém do homem consumidor.
A religião é buscada por necessidade de cura, crescer financeiramente, segurança, superar angústias, reconquistar o “amor” que perdeu e tantas outras necessidades que possam aparecer. Nessa corrida a religião não é a única opção, ela concorre com especialistas das ciências humanas, terapias de autoajuda, alternativas de saúde física e mental e outros.
Se na necessidade do momento Deus for útil recorre-se a ele, se não, vai-se às outras opções, aliás, paga-se caro e muito caro às vezes para que Deus resolva sua situação. Quantas vezes tenta-se comprar a salvação! Há os que garantem que Deus resolve tudo, e rápido! Não é atoa que o mercado religioso é promissor, basta um pequeno investimento, talvez uma “iluminação” do além, uma publicidade informal e a disponibilidade ao atendimento de pessoas buscando aconselhá-las e cativá-las. Geralmente é algo muito novo e diferente, mas com elementos da religiosidade tradicional, de modo que o produto à venda “Deus” ou seu “milagre” não é tão novo ou desconhecido assim.
Sabe-se que o marketing preocupa-se diretamente com a venda eficiente dos produtos. Para vender o mercado procura seduzir, encantar e manipular os seus clientes. Nas religiões, há ocasiões que acontece exatamente isso. Cada grupo procura vender um “Deus” mais atraente e conquistar sempre mais “clientes”.
Na verdade, na religião, cada momento da vida, cada ideia e cada gesto só encontra seu sentido fora de si mesmo. Fica-nos uma pergunta: O que será da verdadeira e pura religiosidade, ou mesmo de “Deus”, numa sociedade altamente individualista e consumista como a nossa?
Certamente, Deus terá seus caminhos para continuar sendo o Senhor de todos e da história. Aliás, se olharmos atentamente é fácil perceber os grandes sinais que expressam a soberania de Deus no mundo hodierno. Há algo duradouro e eterno que precisa, urgentemente, ser respeitado. Caso contrário, o ser humano tornar-se-á sempre mais escravo de si mesmo e a sociedade sempre mais doente.

Diác. José Renato Peixinho

terça-feira, 5 de abril de 2011

FÉ E MEIO AMBIENTE


O Brasil está vivendo um momento ímpar no que se refere à questão ambiental, e, desta vez, a Igreja Católica é a impulsionadora do debate। Faz pouco tempo acompanhamos no país uma “onda ecológica”, todos se diziam defensores do meio ambiente, todos defendiam a sustentabilidade. Na maioria, era um discurso político e eleitoreiro, pois tudo continua como antes.

A Campanha da Fraternidade lançada pela Igreja a cada ano traz para o debate temas sociais urgentes e relevantes. A proposta não é fazer discursos demagógicos, mas reflexões e debates que impliquem em mudanças sérias e estratégicas. É preciso mudanças em vários âmbitos, todavia, o eixo fundamental não deixa de ser a ideologia capitalista: consome-se e produz-se o que gera lucros e não o que é realmente necessário para uma humanidade harmônica e feliz. O drama é ainda maior porque essa ideologia tornou-se uma cultura. Desde as pessoas mais simples e pobres às mais ricas e elitizadas, adotam um padrão de vida ante ambiental. Isso sem falar das grandes empresas.

Costumo dizer que no discurso já somos ambientalista, mas da prática pouquíssimos assumem concretamente uma postura ecológica. Basta observar: quantos saquinhos plásticos você descarta por mês? Quantas garrafas? Quanto de carne (principalmente bovina) você consome? O que você faz com o lixo de sua casa? Com os papeis que não utiliza mais? Poderíamos continuar perguntando e nos darmos conta da nossa devastação, da nossa culpa.

No Gênesis Deus entrega o planeta como um grande jardim para ser cuidado pelo homem (Gn2), mas na verdade esse jardim sempre foi muito mais explorado que cuidado. Por isso, a Igreja propõe uma conversão. É preciso uma mudança profunda em nós.

Precisamos ler os sinais dos tempos. Já disse o Cacique Seatle em 1854, “quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, ai sim eles verão que dinheiro não se come”. Recordo também o pensamento: “se queres mudar o mundo com suas ideias, primeiro mude a si mesmo”.

Viver “ecologicamente correto” é ser considerado por muitos um Idiota e maluco. No entanto, somos convidados a assumir posturas que para a ideologia dominante é loucura, mas para o cristão verdadeiro pode ser sinal de conversão profunda, a loucura da Fé como fala São Paulo. Verdadeira loucura mesmo é perceber os gemidos da criação e continuar agindo como se nada estivesse acontecendo. Portanto, ainda há tempo! Tenhamos coragem e comecemos nossa própria mudança!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O que é Liturgia?

Meu trabalho pastoral durante o ano de 2010 foi especificamente na formação litúrgica, de paróquias da Diocese. Esta pergunta acima, foi muito marcante na aprendizagem junto às comunidades. Era um dos primeiros temas a ser refletido. Era um tema estudado na primeira etapa e revisado nas outras. Já pensou você tomar um curso de liturgia e terminar sem saber o que vem a ser liturgia? Se bem que essa pergunta, na realidade, não é tão simples de responder. Até padres e pessoas formadas em teologia, nem sempre tem segurança em responder o que é liturgia. Com a permissão do leitor, conto um pouco o caminho que fizemos para chegar ou entendimento básico, mas profundo da questão, entendimento este, fundamental para o estudo de qualquer tema especifico de liturgia.

Nas oito paróquias atendidas em 2010, a participação média ficou em torno de 40 pessoas por paróquia, portanto, as respostas que vos apresento foram colhidas de uma média de 320 pessoas. Vejamos as respostas mais comuns que as pessoas deram quando foram perguntadas: Para você o que é liturgia?: Liturgia é: A Palavra de Deus, as leituras da missa, leitura da Bíblia, as partes da missa, preparar a missa, a celebração da missa, celebrar a vida, celebrar a vida de Jesus,celebrar o mistério de Jesus, os cantos, celebração festiva, festa, Jesus Cristo, encontro de irmãos, comunicação com Deus, mistério. Estas foram as respostas mais comuns que os agentes e liders de comunidades expressaram. Na verdade todas elas são respostas válidas de alguma maneira. Depois dessa explanação mais livre eu começava a conduzi-los a uma resposta mais ampla e completa. E todos enfim concordavam que liturgia é a celebração do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Nesta frase está o conceito básico e uma grande síntese de todas as possíveis respostas que se possa dar para definir liturgia. Mas dizer para “nosso povo” que liturgia é o Mistério Pascal de Jesus Cristo, não lhes acrescenta muita coisa. Fazíamos, então, um outro passo fundamental: o entendimento de cada termo contemplado nessa síntese e a sua compreensão global. Novamente a maiêutica socrática nos ajudava. É encantador perceber como as respostas vindas do povo eram de uma profundidade impressionante. É impossível aqui transcrever as colocações, compreensões e até mesmo contemplação do Mistério de Cristo que conseguíamos fazer. Tentarei explanar algumas das nossas conclusões. Celebrar é tornar célebre, impecável, grandioso, algo bem elevado, festivo, belo, sendo a celebração essa ação celebre, essa oração máxima, grandiosa, festiva. Mas na liturgia não celebramos qualquer coisa, celebramos algo que é mistério, e, mistério é infinito e impossível de ser conhecido e compreendido em sua totalidade, mas não significa ser algo inexistente, ou mesmo “uma mentira”, pelo contrário, o mistério tem um conteúdo e revela esse conteúdo para o ser humano. Diante do mistério se tem certeza que existe uma realidade, a qual se percebe, se sente e até há uma modificação na pessoa, tornando-a diferente, mas diante do mistério também se tem a certeza que não se consegue “ver” nem atingir tudo que há nele, ele é infinitamente maior do que aquilo que a pobre razão humana pode alcançar, nossa razão não é capaz de penetrar na sua totalidade, apesar de ao mesmo tempo ser tão presente e, por isso mesmo, é mistério.

Mas falando-se de liturgia, não celebramos qualquer mistério, e, sim, o Mistério Pascal de Jesus Cristo. Existe mistério maior que este? Como pode um homem que só fez o bem, ser tão maltratado, cuspido, xingada, morto de uma morte que só os piores bandidos da época morriam. E mais! Ele tinha todas as condições de reagir e com o poder que tinha derrotar a todos que o perseguiam. Mas Ele preferiu o silêncio, foi humilhado até as últimas consequências, humanamente falando foi um derrotado. É exatamente ai que está o seu poder e o seu mistério. Na sua humilhação ele destruiu o orgulho, destruiu a própria morte. Porque sua vitória foi de forma mais profunda, Ele não venceu os que lutavam diretamente contra Ele, sua vitória foi na raiz, Ele vence o mal e a morte. Porque Ele volta a viver, Ressuscita. E muito mais que isso, Cristo, agora, permanece em meio aos homens por toda eternidade, Si dá ao homem como alimento de Salvação. Agora o Cristo Ressuscitado ultrapassa os limites geográficos e humanos alcançando não apenas o povo de Israel, mas toda humanidade. E essa entrada de Cristo na vida humana tem um modo privilegiado de se dá: a Sagrada Liturgia.

Portanto, liturgia é a Celebração do Mistério Pascal de Jesus Cristo, ou seja, Celebramos a Vida de Jesus nos seus momentos mais misteriosos, seus momentos mais marcantes. Costumo juntar ao Mistério Pascal de Cristo a encarnação(nascimento) e a ascensão de Jesus. Pois bem, quem está no centro de toda liturgia é o Mistério de Cristo. Celebramos antes de tudo os seus mistérios; a eles se unem as nossas vidas, nossas vitórias, nossas tristezas... Mas é n’Ele que tudo ganha significado. De modo que, toda oração, todo ato e rito litúrgico é para que o mistério de Cristo seja contemplado. De modo ainda mais específico: o quê e como se canta na missa, como se proclama as leituras, a reflexão, gestos, a participação da assembleia, a organização do espaço da celebração tem como princípio primordial a experiência, o encontro com o Mistério celebrado: Jesus Cristo. Na verdade até as obras sociais da Igreja, se alimentam, se nutrem e ganham sentido na liturgia, no Mistério de Jesus Cristo, caso contrário, não terá diferença das obras sociais feitas pelo estado.

Ai está uma pequena parte da experiência a me confiada em dá formação litúrgica na Diocese. Espero poder dar continuidade aperfeiçoar e melhorar sempre mais, para que, em fim, o Mistério de Cristo seja sempre melhor conhecido e celebrado.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

DESCOBRINDO A BELEZA NA LITURGIA

Na liturgia temos poesia, sacralidade, música, “moradia”, equipes agindo em comunhão, fraternidade, em fim, a liturgia é um poço inesgotável de beleza. Tentaremos penetrar nesta beleza e quem sabe mergulhar muito mais neste poço. “A missa, por exemplo, é a coisa mias absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua paixão, morrendo e ressuscitando” (Adélia Prado) . Não precisamos acrescentar mais nada à missa.
Nem sempre enxergamos e sentimos o belo, mas quando deixarmos o silêncio falar, a beleza sem dúvida irá aparecer. Pois a beleza de uma celebração e de qualquer outra coisa é puro silêncio, e pura audição. Se não houver o silencio, não há audição, não vai ser possível ouvir a palavra, porque o mistério não vai ser ouvido, é ele que celebramos. O barulho de muita falação, muita música, muitas palmas, muito grito, o barulho visual de muita decoração, muita informação não nos ajudam. Só o vazio pode se encher do espírito. Deus é a beleza, e a liturgia é o lugar privilegiado da beleza, lugar em que Deus brilha. KALLOS - do grego, significa belo, bom e verdadeiro. Logo, o lugar onde Deus brilha é bom, belo e verdadeiro. A bondade e a verdade que geram beleza, são a da justiça, da generosidade, da solidariedade, da compaixão, da partilha, da comunhão.
“A beleza enche os olhos d`água” (Adélia Prado) . “Arte é beleza e a beleza é o esplendor da verdade; sem verdade não há arte” (Antoni Gaudé) . “Fora da beleza não há salvação” (Rúbens Alves) . “Deus é um grande e enorme vazio que contem toda beleza do universo. Se o vaso não fosse vazio nele não se plantaria flores. Se o corpo não fosse vazio nele não se beberia água. Se o útero não fosse vazio, nele não cresceria a vida...” (Rúbens Alves) . Como foi dito anteriormente só o vazio pode encher-se de espírito.
Qual beleza salvará o mundo? “A beleza sempre antiga e sempre nova, a beleza de Deus; a beleza que caracteriza o belo e bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas” . Quem contempla o belo e fixa nele o olhar, deixando-se iluminar por ele, torna-se belo também. O encontro com o belo vai além dos sentidos e da sensibilidade nos assemelhando a ele. A música, por exemplo, nos ajuda a sermos mais belos, pois ela é “mediadora da transcendência”. Pela música chegamos ao coração de Deus e Deus desce a nós, sendo a música e o canto litúrgico, portanto, um meio privilegiado de oração e participação. Assim, o canto e a música são também frutos da beleza, porque criam um clima de festa e esplendor, solenizando e revestindo de maior beleza os atos litúrgicos. É expressão humana do divino, verdadeiro sacramento do Cristo, sinal da beleza eterna e não algo secundário.
Portanto, a formação litúrgica permanente, a abertura de cada membro da liturgia a conhecer sempre mais o Mistério que se celebra, possibilitará, sem sombra de dúvida, a não escravização e nem mesmo a rejeição das normas litúrgicas emergentes da sua própria natureza, pois a liturgia é de Jesus Cristo e da Igreja e por isso devemos nos submeter às suas normas, o que não nos escraviza, mas nos torna mais livres e criativos na alegria da presença e da experiência de Deus.

sábado, 13 de março de 2010

LITURGIA: DAS RUBRICAS AO APROFUNDAMENTO

A participação em um curso litúrgico-musical promovido pela CNBB, Regional Nordeste 3, levou-me a rever meus conceitos sobre liturgia। O curso possibilitou-me compreender que na liturgia, há um conteúdo que ultrapassa as próprias normas, conteúdo inclusive que dá sentido às normas.

Para alguns, assim como foi para mim por um bom tempo, dispor uma atenção especial à liturgia, não passaria de um apego insignificante a detalhes, inclusive controversos, dos nossos atos celebrativos। Esta postura evidencia um desconhecimento da sagrada liturgia da Igreja, de modo mais aprofundado, pois os ritos e os detalhes não são impostos, mas fluem numa harmonia extraordinária com o mistério que se celebra. Não são os detalhes, o essencial para que o Mistério seja celebrado, mas é da celebração Dele que emerge os detalhes, embelezando-a e enriquecendo-a ainda mais.

A Sacrosanctum Concilium n° 10 define: “A liturgia é o cume e a fonte de toda ação da Igreja”। Aqui está a definição por excelência. Assimilar esta definição implica, antes de mais, guiar toda ação cristã a partir da liturgia, caso contrario, nossas ações serão deficientes. Até o trabalho social com os pobres, só terá sentido verdadeiro se nascido da liturgia.

Em sua raiz a palavra é grega – leitourgía – seu significado é complexo। Teria duas raízes: “leit = povo, urgia = obra - serviço” – carregando ainda outras variantes. Podemos dizer que significa: serviço do povo, povo que trabalha, serve, age. No campo da religião do Povo de Deus: é a ação de Deus servindo e santificando seu povo, fazendo-o passar da morte para a vida; é a ação do povo, servindo e glorificando a Deus em união com Jesus, no Espírito Santo. Assim essa palavra vai aparecendo na Bíblia em vários contextos diferentes, mas nunca distante de um contexto de religiosidade.

Uma das traduções do Vaticano II é: ação simbólica cristã। Todavia, a definição mais expressiva e sintética é: liturgia é a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Uma ótima definição, mas que exige uma compreensão dela mesma. Neste sentido, celebração é: ação ritual em clima festivo, feita com palavras e sinais sensíveis. Mas não se trata de qualquer celebração, na liturgia celebramos o Mistério da Pascal de Cristo, ou seja, fazemos memória – revivemos – o Mistério Pascal da Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Cristo. Uma liturgia cristã que não aponte para tal Mistério não é liturgia.

Com essa pequena tentativa de compreensão de liturgia já é possível perceber que ela é a base de nossa fé। Sem liturgia não existe cristão, não conhecemos nem encontramos verdadeiramente o Cristo. Por mais que o Cristo esteja em tantos outros lugares, é na liturgia que o encontraremos de fato e receberemos a graça para estar com ele onde quer que estejamos. Foi a partir desta compreensão que a liturgia deixou de ser uma dimensão secundária, para assumir uma importância prioritária na minha postura como cristão e como seminarista e, como padre futuramente. O que seria sair das rubricas para o aprofundamento? As rubricas, por minhas palavras, são: todas as normas, regas, notas e orientações concretas e práticas de como devem agir todos que estão celebrando. O Missal Romano, por exemplo, principal e mais importante livro litúrgico da Igreja Católica Romana, trás inúmeras rubricas: são geralmente letras em fontes menores e de cor vermelha que orientam como o padre e a assembléia devem fazer (as rubricas não são pronunciadas, são apenas para orientar).

Apesar de essas rubricas serem essenciais há algo ainda mais importante: entender o porque delas. O que dá sentido a todos os nossos gestos é a própria celebração, a vivência, o encontro com o Mistério, com o Cristo. De nada vele seguir todas as rubricas, a ponto de ficar preso somente a elas sem entender e viver verdadeiramente o Mistério celebrado. Caso isso aconteça, a celebração tornar-se-á vazia e não levará as pessoas ao encontro com Deus. Por outro lado, quando as pessoas deixam-se serem arrebatadas pelo Mistério, celebrando e vivendo de fato o momento, as rubricas irão fluírem naturalmente e mesmo que uma ou outra deixe de ser seguida, a celebração não perderá o seu sentido e as pessoas encontrar-se-ão com Deus.

BBB 10 A VERGONHA

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados..
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores )
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um artigo de Jabor, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.


Autor Desconhecido

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“UM CERTO APICULTOR”

Apicultor é o nome que se dá a quem cultiva apis (abelha).

Você sabe ou já imaginou o que é uma abelha? Ela é um inseto ou um animal?

Podemos considerá-la inseto porque se identificam com essa classe biológica? Ou podemos considerá-la animal, por ser cultivável, produzir tanto mel e outros produtos que servem de fonte de renda, remédio e alimento à humanidade e até outros animais? Ou ainda poderia defini-la em outros conceitos? Quem sabe alguém prefira denominá-la praga, por achá-la tão agressiva e simbolizar perigo. Apesar dela apenas defender-se quando sentem-se ameaçada.

A final abelha é inseto, praga, animal ou ainda algo diferente disso?

Posso garantir-lhe que existem pessoas que considera abelha algo bem diferente:


“Um certo apicultor”, a considera inúmeras coisas, menos inseto, animal, ou praga, para ele as abelhas são fonte de vida: sua indústria de alimentos, sua empresa, seu emprego, seus empregados, seu banco, seu exemplo de organização, seu esporte, seu médico, suas parceiras na preservação do meio ambiente... Talvez você não tenha entendido, não se preocupe, tentarei explicar melhor।


Sua indústria de alimentos: além do consumo do mel como um ótimo alimento, é com a venda do mesmo que ele compra os demais alimentos necessários para o consumo próprio e familiar. Visto que, dependendo do manejo, cada colméia chega a produzir mais de 100 Kg de mel por ano, além dos outros produtos de valor comercial ainda mais alto;
Sua empresa: ali, ele aplica todas as suas forças e capacidades, organizando e controlando da melhor maneira possível, garantido lucratividade e estabilidade econômica e social;
Seu emprego: trabalha e vive de sua atividade com a apicultura;
Seus empregados: são as abelhas as responsáveis pela produção do mel e dos demais produtos que lhe fornece renda, elas fazem o que ele vende ou consome, mas é incapaz de fazer;
Seu banco: a cada real aplicado ele ganha muito mais, os juros são altos. Ele guarda parte da produção e vende à medida que necessita do dinheiro, como se fosse sacar da sua conta;
Seu esporte: sua rotina de manejo e saudável e prazerosa, uma picadinha de abelha de vez em quando faz até bem e, muitas vezes mexer com abelhas, apesar de ser trabalho duro, também é diversão;
Seu medico: por recorrer aos seus produtos para vários problemas de saúde. O mel, pólem, a própolis, a geléia real e a apitoxina são todos de grande valor medicinal para várias doenças;
Seu exemplo de organização: observando as colméias ele percebe que ali existe harmonia, cada um tem sua função, sendo a rainha a líder que conduz as demais. O mais interessante é que cada uma faz o que lhe compete. Não há briga, preguiça, cobiça ou teimosia, mas sim, paz e organização. Talvez seja essa a principal causa de tanta produção;
Suas parceiras na preservação do meio ambiente: com a apicultura evita-se o desmatamento, pois não há necessidade de cultivar o solo, e sim, que exista plantas para florir. As abelhas,por sua vez, ao captar o néctar das flores para transformá-lo em mel, faz ao mesmo tempo a polinização das plantas, garantindo assim, maior produção e proliferação de várias espécies vegetais;

Espero que agora entenda porque um “certo apicultor” define as abelhas quase que como um Deus para si. O que você acha? Concorda com ele?
Vejamos agora outro aspecto. De que e como é feito o mel? Sua composição é uma das mais ricas, alguns nutricionistas afirmam que o mel é o alimento mais completo do mundo, perdendo apenas para o colostro materno. Se é tão rico, se têm tantas qualidades, por que não o fabricamos? .Aí está um enigma! O homem se diz tão evoluído, a ciência se diz tão capaz, mas não consegue o que um animalzinho, ou um pequeno inseto, ou como queira chamar faz. Só sei que é algo tão pequeno e consegue algo tão valioso e com tanta facilidade! será que somos mais incapazes que as simples abelhas?
Tentaremos ver que não. Espero que concorde. Não somos capazes de produzirmos o mel que só as abelhas produzem, mas as abelhas produzem perfeitamente o mel e, somente o mel, mesmo que também produza mais uns cinco ou seis outros produtos e pronto. Nós humanos produzimos milhões de coisas, milhões de objetos, transformamos os produtos apícolas em mil e uma coisas. Aí está a nossa capacidade, de multiplicar, de transformar o que já existe. Somos capazes de construir um mundo ideal, e até de destruir o mundo que temos. SOMOS CAPAZES, ao mesmo tempo, SOMOS LIMITADOS. Na generalização somos os seres mais capazes do planeta, na individualidade não passamos de um ser capaz de criar algo novo, assim como todos os outros seres.

Voltamos à questão inicial! Depois dessa discussão. Pergunto-lhe, a abelha é um animal ou um inseto? E nós o que somos? Poderia discutir bem mais sobre isso, vou parar por aqui, deixo para você fazer a conclusão.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TODA PESSOA PODE SER CONSAGRADA

O termo consagrado tem um sentido religioso de entrega total, “separado para Deus”. O sentido que aqui quero aplicar é numa dimensão verdadeiramente humana, uma vez sendo um termo estritamente e profundamente humano torna-se divino, pois o humano é divino. Ora, toda pessoa enquanto ser humano deve consagrar-se para alcançar de modo sempre mais pleno a sua felicidade.

Faz alguns dias estive com duas professoras de Bíblia, preparávamos um curso. Em um dado momento algo nelas me fascinou: como elas falavam com empolgação vinda da alma, a cada descoberta, a cada comentário, a cada reflexão! Sabiam infinitas coisas e sempre empolgavam-se ao descobrir mais um detalhe. Concluí: elas consagraram a vida ao estudo e ao ensino da Bíblia.

Mas elas não são as únicas. Quando estudei filosofia, a coordenadora do curso tinha mais de 80 anos, nunca casara. Aposentada como professora de filosofia, mas ainda faz questão de ensinar, chegou a escrever algumas obras. Vive contente fazendo aquilo que gosta e decidiu fazer. Ela sim, “sabe quase tudo de filosofia”. Esta foi, sem dúvida, alguém que se consagrou àquilo que gosta de fazer.

Voltemos para nossa individualidade. Você já descobriu o que mais gosta de fazer? Com certeza as pessoas que se dedicam totalmente ao que gostam de fazer, vivem uma vida de doação e amor imensurável, são sempre felizes e realizadas, pois no amor incondicional pelo que fazem, vivem sua vocação, seu chamado. Torna-se verdadeiramente pessoa humana e naturalmente resplandece o divino.

Ninguém precisa ser uma pessoa com uma especialidade a mais para consagrar-se à sua vocação. Cada um pode descobrir “àquilo” que lhe realiza e se empenhar de corpo e alma nisso que a vida, que o mundo, que Deus lhe oferece.

A busca da nossa vocação, da nossa missão, deve ser constante. Nem sempre é necessário ser uma coisa grandiosa. Conheço uma faxineira que me parece consagrada ao que faz. Faz seu trabalho durante o dia com muita dedicação e amor, ao chegar em casa continua a servir no seu compromisso de mãe e esposa. Sempre demonstra uma realização e uma felicidade pessoal que erradia para quem dela se aproxima.

Outro fato me marcou: um casal alemão decidiu ser missionário no Brasil। Faziam um excelente trabalho social num bairro pobre de uma cidade do Nordeste. Quando tiveram o primeiro filho, a criança nasceu com síndrome de down. Foram obrigados a abandonar o trabalho que faziam e dedicarem-se integralmente a cuidar do filho deficiente. Certo dia a mãe confessou: “agora estou exercendo a verdadeira missão que Deus tinha para mim. Cuidar do meu filho”. Esta mãe consagrou sua vida a cuidar do filho deficiente.

Portanto, você também pode ser uma pessoa consagrada. Seja como mãe, como pai, professor(a), médico(a), catequista, estudante, policial, jogador de futebol... Ouso-me a dar-te um conselho: consagre sua vida àquilo que você gosta, à luz da vontade de Deus e serás sempre mais feliz. Mas se queres ser ainda mais radical, adéqüe o que você gosta à entrega total no seguimento de Cristo e descobrirá que Ele é a felicidade plena! Deste modo, aos poucos você antecipará o céu na terra.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

COTAS RACIAIS: UM BEM OU UM MAU?

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (Unb) em 2008 confirmou o equívoco de uma visão midiática, elitista e fundamentalmente racista, referente às contas raciais. A política de cotas adotada pelo governo Lula em 2003, possibilitou em 2004 a realização do primeiro vestibular onde alunos negros e índios ingressaram no ensino superior graças àquela política afirmativa.

Até que essa política fosse adotada, permanecia intocada uma situação revoltante na qual os recursos públicos financiavam os estudos universitários majoritariamente de brancos das classes A e B. O principal argumento contra as cotas foi: a adoção do sistema de cotas provocaria “prejuízo acadêmico” às universidades, ou seja, o estudante negro ou índio seria intelectualmente inferior ao estudante branco de classe média e alta e, por isso, as universidades formariam profissionais “despreparados”.

Segundo pesquisa da UnB, a primeira turma de cotistas raciais a se formar no país chega ao fim de vários cursos mostrando desempenho bem superior ao dos alunos não cotistas. Numa escala de 0 a 5, os cotistas alcançaram em média, um coeficiente de rendimento de 3,9 contra 2,3 dos não-cotistas, e a médias de trancamento de matricula entre cotistas é de 0,5 contra 1,0 dos não-cotistas. Já as reprovações entre os cotistas alcançam 1,5 contra 3,5 dos demais.

É alto o contingente de alunos das classes sociais superiores que consegue vagas no injusto sistema tradicional e depois terminam por abandona-los no meio. Apesar dos negros pobres não terem os mesmos recursos para comprar livros e não disporem de tanto tempo para estudar quanto os filhos da elite branca – que não precisam trabalhar e, assim, pode se dedicar apenas aos estudos -, quando você dá oportunidade a esses jovens de um setor difamado e discriminado da sociedade, a dedicação é bem maior eu aqueles que sempre ganharam tudo “de mão beijada”.

Mesmo assim as cotas enfrentam resistências, elas não foram adotadas em todas as universidades. Não é por outra razão que o resultados dos estudos demonstrando que os cotistas raciais superam os não-cotistas vem sendo escondidos pela grande mídia branca e racista. Mas aos poucos será veremos ver numa cidade como São Paulo alguns médicos negros, coisa que hoje é quase impossível. Pois os governos estaduais têm impedido a política de cotas nas maiores universidades públicas de São Paulo.

Gostaria de esclarecer que esta análise é feita por Eduardo Guimarães – Executivo, editor do blog Cidadania, onde você encontra a matéria completa – ele pertence a esta classe social beneficiada pela injusta política de ingresso no ensino superior gratuito que infelizmente ainda predomina no Brasil, Eduardo defende as cotas, mesmo não precisando delas, por ver nelas uma forma que ajuda a edificar a sociedade mais justa com a qual todos sonhamos।
Todavia, as cotas continuam sendo um paleativo vergonhoso, apesar de trazer seus grandes e inegáveis benefícios। Mas já está na hora de revolucionar o ensino público, proporcionando a todos um ensino básico de qualidade, tirando até mesmo a razão de ser dos vestibulares e, se alguém tem que pagar para cursar universidades que seja os pagantes das escolas particulares.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Jesus e seus Seguidores
Desde quando Jesus começou seu anuncio até os nossos dias, sempre teve muitos seguidores. Quais os motivos que levaram e ainda levam tantos a segui-Lo? Tomando por base o texto de Mt 8, 18-22, tentaremos traçar um caminho de entendimento.

O evangelista Mateus traz a perícope citada acima dentro de uma seção de dez milagres, logo após, ter anunciado seu sermão na montanha de Cafarnaum, desde então o escritor sagrado vem destacando sempre o Cristo acompanhado de uma grande multidão: “Ao descer da montanha, seguiam-no multidões numerosas” (Mt 8,1). (Vendo Jesus que estava cercado de grandes multidões... (Mt 8,18). É exatamente no meio desta multidão de seguidores, depois da narrativa de alguns milagres, que dois personagens ganham destaque: o primeiro, diz que vai seguir o Mestre onde quer que vá (“Mestre eu te seguirei para onde quer que vás” – Mt 8, 19); O segundo pede para antes enterrar o pai (“Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai” – Mt 8,21). Aos dois Jesus dá uma resposta enigmática. Ao primeiro, diz que até os animais tem mais conforto do que Ele: “As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” -Mt 8,20; ao outro, não dá-lhe permissão alguma: “segue-me e deixa que os mortos enterrem seus morto”- Mt 8,22.

Como um homem tão pobre e tão exigente atrai a tantas pessoas? É exatamente ai que estão vários dos motivos da sua “atração”. Este, não é um homem qualquer. Ele é o Mestre dos mestres, (com lhe tratou o escriba) “chegou-se a ele um escriba e disse: ‘Mestre eu te seguirei para onde quer que vás - Mt 8, 19’”; o Senhor de todos, principalmente dos seus seguidores (como lhe tratou seu discípulo) “Outro dos discípulos lhe disse: ‘Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai’”. Não é um Deus imaginário. É o Filho do Homem, homem concreto, mas divino, (como se autodenomina Cristo) “Jesus respondeu: ‘As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’”. Por isso, segui-lo vale a pena. Não importa o que fica para traz, é muito pouco diante da sua escolha. Você vai seguir de modo mais concreto possível, aquele que é a razão da sua existência. É assim que Jesus se revela a cada ação e nesta não foi diferente. Todos são convocados a reconstruírem seu modo de viver e ser, pois agora conhecem de modo bem palpável, a razão de todo existir, pois ele não se esconde, não tem nem onde morar, mas pode estar sempre com cada um. Segui-Lo é tornar-se salvo, livre, homem novo, “Igreja nova”.

Uma multidão seguia Jesus, talvez mais pelos seus milagres; Jesus deixa claro que segui-Lo é muito mais exigente que simplesmente querer, receber e ver seus milagres. Ele nos chama, mas não nos engana. Quem quiser segui-Lo terá que passar pelas dificuldades próprias da mentalidade evangélica. O seguimento de Cristo nos tira das nossas raízes e nos desestrutura. Somos obrigados(as) a renunciar à nossa existência pacata, medíocre e acomodada. Para seguir a Jesus é preciso, também, não ter casa, não ter abrigo nem mordomia, isto é, não ter raízes em lugar nenhum.

Portanto, vemos também a preocupação de São Mateus em ressaltar sua Eclesiologia, A Igreja é convidada a um seguimento radical ao Cristo, Pedra fundante, capaz de mover todos a Ele, capaz de retribuir e ultrapassar qualquer valor cultural e humano que possa nos acompanhar como algo grandemente valioso. O Cristo vale mais que tudo, em Mt 10, 37 Ele diz: “Aquele que ama pai e mãe mais do que a mim, não é digno de mim”. Quem quiser seguir a Cristo, terá sim sua recompensa, não em plena glória aqui na terra, mas com a cruz. Com estas palavras de Jesus termino minha reflexão: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida, a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim, a encontrará.

Em suma, a maior promessa de Cristo é um antagonismo: perder a vida, mas ao mesmo tempo ganhar uma nova. Sobretudo por isso, tantos o seguiram e o seguem, não importando as conseqüências.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O SER HUMANO DESUMANO

Como é possível em um mesmo mundo haver tantas diferenças humanas? Por que alguns seres humanos parecem ter nascido para serem mais dignos do que outros?

A ciência evolui, o homem se diz cada vez mais civilizado, mas os problemas fundamentais da vida humana parecem continuar os mesmos ou até piores. Seguiremos analisando alguns aspectos:
A medicina está tão evoluída, mas, mesmo assim, não cura todas as doenças, e mais, há milhões de pessoas no mundo com seus cuidados básicos e mínimos de saúde negligenciados.
Fala-se que estamos na era da comunicação! Mas nunca o homem esteve tão isolado na sua individualidade, tão individualista! “É eu e o meu mundo”. A comunicação torna-se cada vez mais artificial e menos afetiva, como conseqüências as pessoas se esvaziam a cada dia.
Sempre houve ladrões em todos os períodos históricos। Mas a cada dia aumenta a sensação de que estamos em um mundo sempre mais corrupto, sobretudo, no meio político.

Faz anos que ambientalistas chamam a atenção para o perigo da devestação ambiental. O planeta não suportará o nosso modo predador de usá-lo. Todavia, grandes empresas, grandes indústrias, importantes políticos, pequenas empresas, pessoas simples como nós, continuam a devastar impiedosamente. Em nome de uma ambição e de um bem estar imediato. São pouquíssimas as pessoas que assumem de fato um comportamento “ecologicamente correto”.
São muitíssimos os miseráveis no mundo। Pessoas que não vivem, mas morrem aos poucos enquanto sobrevivem. Por outro lado, há um mundo paralelo: milionários que possuem paraísos; sentem-se seres superiores, no direito de desfrutar o que o planeta e a civilização pode oferecer dizendo ser o melhor.

Será que se cada um de nós tivéssemos a oportunidade de si tornar milionário, mesmo que isso implicasse ferir a dignidade do outro, teríamos coragem de abrir mão e continuar vivendo uma vida simples?
O desafio da pós-modernidade é levar a humanidade a ser novamente humana. Para isso é que deveria ser direcionado todos os esforços humanos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

MARIA É COROADA!


Proponho-me, no escrito que segue, não desenvolver um tratado de Mariologia, mas apenas expressar um fato concreto; dividir a minha experiência de fé e devoção mariana.

Como sabemos a Igreja dedicou o mês de maio à devoção a Mãe de Jesus. O Papa Pio XII instituiu a festa da Coroação de Maria como Rainha do Céu, determinando que se fosse celebrada no dia 31 de maio, o “mês de Maria” (se bem que liturgicamente o mês de dezembro é muito mais mariano, esperamos o menino que nos vem até nós através de Maria; temos várias festas marianas; mas a voz do povo é a voz de deus, assim as tradições populares definiram maio como “mês de Maria”) Em muitas comunidades de metrópole, bem como em interiores mais esquecidos, este é um mês muito vivo em orações e atividades dedicadas a: devoção, invocação, petição, e louvação à Maria Santíssima.

No ultimo dia de maio, portanto, muitos sonham em carregar a coroa da mãe de Deus, outros em cantar solenemente no momento da coroação, outros ainda em apenas contemplar esse momento comovente. É extraordinário! A solenidade de coroação de Maria gera em nós, uma emoção inexprimível, inefável, inexplicável: choro, alegria, arrepios, amparo, consolo... É assim a sensação de muita gente que participa e contempla esse gesto tão simples e tão majestoso.

Que bom saber que temos uma mãe rainha! Ela é o tecido vivo da Igreja, foi Eva, nossa primeira mãe de quem a Virgem é réplica celestial. Há quem diga que ela não é nem rainha nem nossa mãe. Mas se ela é mãe de Jesus, não podemos negar isso. Pois Jesus é Rei, Jesus é nosso irmão. A própria Escritura nos diz que somos irmãos em Cristo. Pois bem, Maria é a mãe do Rei (Jesus), por isso é Rainha. É claro que o lugar da Virgem é diferente do lugar do Cristo: ele é Deus encarnado e ela e o ser humano divinizado; mas quando o Cristo sobe ao Pai, nos deixa uma Mãe. Entrega-nos pessoalmente, para que sua mãe seja mãe da Humanidade; diz pregado na Cruz ao seu discípulo João: “EIS AI TUA MÃE”. (Jo, 19,27).

Pode se ter uma visão completa das coisas se o elemento feminino for eliminado? A maternidade impregna algo muito profundo, uma matéria que sublima, se abri, caminha ao encontro da graça, como um cálice recebendo a vida, algo que sobe mais alto que os querubins e os sarafins.

O motivo de tanta emoção com a coroação de Maria, deve ser porque nos sintamos príncipes e princesas, pois temos uma mãe rainha. Que entusiasmo, pois como princesas e príncipes, podemos dizer que também somos coroados.

Neste entendimento, tem um pequeno perigo: o nosso orgulho. Imaginamos logo uma coroa de ouro, belíssima, valiosíssima; esquecemos a coroa que Cristo recebeu. Devemos ser príncipes e princesas sim, mas coroados de amizade, simplicidade, honestidade, perdão, bondade, de amor.

Convido a cada um e a cada uma, portanto, a participar da solenidade de coroação de Nossa Senhora, nossa Mãe, e sentir-se príncipe e princesa coroados de amor. Dia 31 de maio, é um dia propício de rezar à Maria Santíssima, de ser abençoado por ela, fazer a experiência de ser coroado, pois a Igreja celebra sua Visitação e sua coroação.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

UMA VIDA – UMA NOVA VIDA

Algo aconteceu! Um acidente! Um incidente! Uma lição!

No dia 19 de junho de 2007, estava morando em Alagoinhas-Ba, sendo voluntário na Pastoral do Menor. Exatamente nesta data, fiz uma visita ao Padre Edvanio no Seminário Propedêutico. Pareceu uma visita normal, mas não foi. Fui convidado a permanecer e almoçar, aceitei. Tivemos uma longa conversa íntima. O Padre lembrava uma reunião com as lideranças da Paróquia Santa Terezinha, a qual, ele estava assumindo. O ultimo convite iria ser entregue naquela tarde na comunidade do Encantado. Terminado o almoço retornei ao trabalho.

Às 18h fiquei sabendo que o Pe. teria sofrido um acidente, partindo de imediato para Salvador, em estado grave, fora de si. Preferi não acreditar, tinha estado com ele, isso seria boato! Passando pela Matriz de Santa Terezinha encontrei algumas senhoras rezando pelo Padre e me confirmaram o fato. Fui para casa (Pastoral do Menor) rezei a Deus e dormi. Enquanto isso no Seminário em Salvador a notícia chegou que ele tinha morrido. Muito choro! Tenções! Que noite aquela! Daí em diante, muitas orações! Mas as notícias eram sempre pouco animadoras. “Permanece em coma profundo”. Dez dias depois, após ouvir tantos dizer que não teria mais jeito, eu mesmo decidi ir vê-lo no hospital. Entrando na UTI do hospital Sal Rafael, o vi, apesar de muito inchado, não estava irreconhecível como me disseram. Comecei apertar a mão dele e para minha grande alegria senti que ele retribuía. Comecei a conversar entusiasmado com ele e percebi uma mudança na respiração, parecia mexer-se um pouco. Voltei radiante, feliz da vida, “meu cumpade” não iria morrer.


Quatro meses depois do acidente

Presidindo sua primeira Missa na Terra natal

Quando contava sobre minha visita, muitos diziam que era mentira ou ilusão de minha parte. Continuavam dizendo que não havia muita esperança. “Edvânio já era”.

Mas Deus tinha outros planos. Pe. Edvanio (meu cumpade), está ai, para nossa alegria e para fechar a boca e o pensamento de tantos que desacreditaram no que Deus e ele era capaz.

Hoje, pouco menos de dois anos, para minha alegria e de todos os seminaristas, o Padre é nosso Vice Reitor, Deus tem seus caminhos. Lembro do Bispo Dom Paulo, que deu um grande testemunho de acolhimento e empenho total no cuidado maternal e paternal na recuperação desse “seu Filho”. Quanto bem, esse fato gerou!

Parabéns, Padre Edvânio, o senhor é nosso Orgulho. Exemplo de fé, exemplo da ação de Deus.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

POR QUE A IGREJA É HIPÓCRITA?

Talvez você também já tenha se feito esta pergunta. Muitos não a admite, mas dizer o contrário é sim inaceitável. Calma!

Primeiro vamos ver o sentido da palavra hipócrita aqui apresentado. Podemos dizer que ser hipócrita é ser falso, fingido, dizer ser algo que não é. Resumamos:
ser hipócrita é ser pecador.

Vejamos como ficou a pergunta inicial. Porque a Igreja é pecadora? Acredito não haver ninguém com objeção a essa pergunta. A conclusão ou constatação de que a Igreja é pecadora, nos mostra uma contradição: como pode uma Igreja ao mesmo tempo Santa e pecadora? Sobre a santidade da Igreja falaremos numa próxima oportunidade. Voltemos à questão.

Por que acontece tantos erros “na Igreja”? Ora, os erros são cometidos pelos membros da Igreja, que apesar de haver tantos “santos e santas”, homens e mulheres de excelente conduta e exemplo como membros como efetivos da Igreja, há também homens e mulheres de condutas nada corretas, os quais, muitas vezes, denigrem a imagem da instituição referida.

Mas a final, qual o homem que nunca errou e que nunca errará? A raiz da hipocrisia não é difícil de ser percebida, está na nossa incapacidade de sermos perfeitos.

Antes de perguntar porque a Igreja é hipócrita, a interrogação deve ser feita a nós mesmos. Porque as pessoas são hipócritas? Porque eu cometo tantos erros? Desta maneira nos daremos conta que por mais éticos e religiosos, ou mesmo “santos” que somos, seremos sempre incapazes de ser perfeitos.

Portanto, só nos resta um caminho, que é bíblico inclusive. Crescer o joio e o trigo juntos. Assim, a hipocrisia na Igreja, não é nada mais, que parte da nossa hipocrisia individual. Talvez os que a conduzem de forma mais direta tenham maior responsabilidade, mas em princípio, todo cristão batizado é Igreja.

Resta-nos, finalmente, o reconhecimento de que estamos todos no mesmo “barco”. Buscamos a honestidade, a bondade, a santidade... Mas nem sempre conseguimos. Ao invés de condenar os outros, ou mesmo a Igreja, devemos ter misericórdia e ser solidários para com o próximo, ajudá-lo a ser melhor. Por isso, nem sempre a Igreja condena, mas acolhe, e mesmo que ela condene, Deus jamais condenará, basta que aconteça o arrependimento e abertura ao perdão.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

QUEM REALMENTE DEFENDE A VIDA?

O caso do aborto da menina de 9 anos em Pernambuco, trouxe à tona um assunto que “borbulha” na sociedade brasileira: O ABORTO. São praticados tantos no país! Mas porque a mídia deu tanto respaldo a este?

Por que esse, é realmente, um caso especial! O fato de ser gravidez por estupro, a lei do país já permite aborto (com a permissão da mãe ou responsável). A ocorrência de a mãe ter apenas 9 anos, torna o caso incomum, sendo gêmeos, mais raro ainda.

A versão médica é clara: a menina corria risco de vida. Seria a morte das três vidas. “Era só uma questão de tempo”. Logo, salvou-se a vida de nove anos matando as duas que se iniciavam.

A “Igreja” (Bispo de Olinda) também pronunciou-se de imediato. Estão excomungados os pais que autorizaram e a equipe que provocou e assistiu o aborto. A doutrina da Igreja é muito clara, sem meio termo. Matou ou colaborou com a morte de um inocente indefeso (aborto) está automaticamente excomungado, isto é, fora da comunhão da Igreja, seria dizer: “se você não se deixa orientar no que há de mais essencial da Igreja Católica, então você está fora dela”.

Se seguirmos a lógica e a versão apresentada pela medicina, os médicos agiram “corretamente”, salvaram uma vida em risco, mesmo matando outras duas. “Melhor uma do que nenhuma!?...”

Agora o outro lado da história: a mãe e o pai da menina foram pressionados pela equipe do hospital a assinar a autorização do aborto na filha; não chegou às mãos dos conselheiros tutelares, que acompanhavam o caso bem de perto, nenhum boletim médico oficial onde mostrasse o verdadeiro estado da paciente, pelo contrário, uma grande negligência neste sentido; uma semana depois do fato, uma criança na Amazônia, após três meses no hospital sendo acompanhada pela equipe médica deu à luz uma criança.

Em 1939, a medicina tinha condições de fazer uma cesárea em menina de cinco anos e salvar a vida dela e do filho. Como de fato ocorreu, no Peru, até hoje é famosa na medicina e considerada a mulher que se tornou mãe mais jovem no mundo . Em 2009, através de inseminação artificial, consegue-se manter até o final uma gravidez de óctuplos. Será porque no caso de Pernambuco tudo pareceu tão diferente? A medicina regrediu?

Estavam mesmo as três vidas prestes a morrer? Esta pergunta já pode ter outra resposta! Como se ver, há outros interesses, outros valores por trás. A atitude foi no mínimo, apressada e precipitada. O Bispo, por sua vez, deveria ter conhecido mais de perto a situação para depois se pronunciar, evitando as distorções feitas pela mídia, sem deixar de defender a nossa sábia, responsável e respeitada Igreja Católica.

O maior problema, me parece, é que cada vez mais a consciência humana já não consegue distinguir o que é bem e o que é mal. Toda pessoa sensata escolhe a vida. Mas dizendo-se defensor da vida, às vezes se provoca muito mais morte. Por isso, para alguns analistas, vivemos numa cultura de morte. Matar um feto ou uma criancinha que ainda não nasceu; matar um “velhinho” que já “não serve mais”, às vezes só porque não tem mais a energia dos “novos”, é visto como ato de amor.

Para defender a vida, muitos são totalmente contra o uso e manipulação das células-tronco embrionárias. Em defesa da mesma vida, muitos são totalmente favoráveis. Semelhante a isso são as realidades do aborto, (como a história que estamos analisando) da eutanásia, do uso de preservativo, violências diversas, agressão ao meio ambiente. Há muita destruição da vida em nome da sua defesa. Vivemos em um momento crítico e decisivo em que a humanidade se vê diante da possibilidade real de auto destruição. O perigo é “em nome do progresso a humanidade se regredir a um estilo de vida de tempos que foram denominados de bárbaros”.

Que os “absurdos” humanos trazem conseqüências aos próprios homens e seu ambiente, é um fato. Mas fazer outros “absurdos” para esconder estas conseqüências, é não querer ser responsável pelos nossos próprios atos.

Tirar a vida de um inocente (abortar) pode “resolver” vários problemas: a irresponsabilidade social dos governos; a irresponsabilidade dos pais para com aquela nova criança; apagar as conseqüências, mais negativas, do uso do corpo como objeto; esconder a vergonha, a descriminação e as dificuldades de uma gravidez indesejada e tantos outros.

Pelo que vejo, cedo ou tarde o aborto será dispenalizado no Brasil, mas a morte de um inocente jamais será dispenalizada por Deus ou por uma consciência sadia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

VOCÊ TAMBÉM É DE PAZ!

Todo ser humano em princípio é promotor da paz. Mas nem sempre vemos somente a paz onde há pessoas. São pouquíssimas as pessoas que se reconhecem como violentas. No entanto, cada pessoa de paz por vezes provocam violência, às vezes conscientes, às vezes inconscientemente. Muitas vezes perdemos o senso de justiça. Nos diz o lema da Campanha da Fraternidade 2009: A paz é fruto da justiça. Portanto, se há um ambiente violento, há injustiça.

Se a maioria das pessoas não fosse de paz, o mundo seria um caos total. Todavia, a maioria das pessoas, ou talvez todas, em certos momentos causam ou contribuem para a violência.

Quando ouvimos ou falamos em criar uma cultura de paz, poucas vezes pensamos em nós mesmos, mas nos outros. Ora, será que você nunca gerou violência, ou não será capaz de levar mais paz por onde passa?

Aqui recordo as temáticas das três ultimas Campanhas da Fraternidade: “Meio ambiente” (2007), “vida” (2008), “Paz” (2009).
Pergunto a você Cristão: Houve alguma mudança concreta em sua vida, perante ao meio ambiente? Em valorizar e defender a vida? E agora em promover a paz? Se nada mudou em você, há algo errado! Talvez o primeiro passo para mudar o mundo seja mudar a si mesmo। Ainda há tempo! Tenhamos coragem e comecemos nossa própria mudança!

quinta-feira, 26 de março de 2009

PRESERVATIVO: USAR OU NÃO USAR?

A opção de escrever sobre este assunto, um tanto quanto polêmico, deu-se pelo fato de que pouco se fala e escreve sobre o mesmo de forma aprofundada, mas decidi-me efetivamente quando, abriu-se a discussão a este respeito com uma turma de estudantes, na qual, eu era facilitador da disciplina de redação. Para nossa alegria “ou tristeza” a princípio foram todos unânimes em dizer que devemos usar e nos prevenir.

Deu-se a discussão onde os convidei a sair da superficialidade e analisar a questão de forma muito mais profunda. Assim, saímos da idéia de que: ser contra é coisa da Igreja, ou de quem é atrasado, ignorante, alguém muito certinho; ser a favor, no entanto, é ser moderno, inteligente, optar por prevenção, ou quem sabe desrespeitador de valores e princípios. Não queremos falar disso agora, existe algo muito mais sério que isso; na realidade atual, muito mais que ser contra ou a favor, é preciso discutir e perceber as conseqüências de ambas as partes. É a isto que me proponho nestas poucas linhas. Não simplesmente expor uma visão ou outra, mas trazer à nossa percepção que o assunto merece muito mais aprofundamento e reflexão. Muito mais que condenar ou liberar, temos que nos educar. “Eduque! Depois...”

É fundamental trazer presente as mudanças socioculturais e religiosas no decorrer dos anos. É fácil perceber a grande mudança na escala de valores, o mundo pré-industrializado e predominantemente agrário, já não responde mais aos anseios do mundo moderno. Valores familiares, religiosos e éticos são freqüentemente substituídos por outros, com isso, os comportamentos também vão se modificando. Antes ter muitos filhos era valor, hoje é visto como um peso. Se a virgindade era tida como uma questão de honra para a moça e seu círculo familiar e social, hoje muitas vezes chega a ser questionado. Em um passado ainda recente, a palavra valia mais que qualquer documento, como se dizia no Nordeste: “respeite o bigode do homem” o que valia era o invisível, hoje o que vale “é está na onda” o que é palpável, nem documento mais vale.

Claro que nada disso é por acaso, é gerado por toda uma ideologia, que manipula, veicula e empurra sua idéia, massificando e matando a nossa história. Já participei de palestras sobre educação sexual onde a única coisa que se fez foi explicar como se usa camisinha, depois todos saíram com dois ou três preservativos em mãos e os palestrantes convencidos da boa educação sexual de todos que participaram. Às vezes as campanhas de prevenção de DSTs parecem mais campanhas de incentivo ao sexo sem compromisso e irresponsável, chegando em certos casos a parecer mais pornografia, sem uma preocupação com a prevenção real das doenças. Basta usar camisinha e pode tudo! Quando se sabe que a mesma não é 100% segura, fala-se da existência de aproximadamente 70 DSTs, enquanto que o preservativo previne apenas 30 delas. Veja bem! Prevenir não é o mesmo que impedir.

Certamente no contexto em que vivemos o preservativo deve ter seu valor, mas não compete a mim negar ou afirmar isso neste momento. O que quero deixar claro é que esse artifício, pode ser uma armadilha. Muitas vezes a camisinha nos é apresentada como a “solução”, a “segurança”, a “salvação”, mas não chega a ser tudo isso. Também parece que os únicos motivos que podem levar o homem e a mulher a deixar de ter relações sexuais são: as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada, caso estes dois problemas sejam resolvidos, (é o que promete o preservativo) o sexo para o homem pode ser como para os animais, pelo instinto, sempre que desejar, em nome da liberdade. Será que isso é ser livre? Será que isso vai realmente fazer o homem feliz? E nossa razão para que serve?

Você pode impedir até as doenças e a gravidez, mas evitar as marcas deixadas no coração de um envolvimento sexual onde a responsabilidade e o respeito a si e ao outro não foram observados, isso é mais difícil, mais cedo ou mais tarde, terá pessoas machucadas e até de corações destruídos. Neste sentido os sentimentos de mãe ainda prevalecem. Mesmo nos dias atuais nenhuma mãe deseja para sua filha ou mesmo para o filho, uma iniciação sexual tão cedo e sem compromisso, ela é consciente das conseqüências que isso pode acarretar.

O caminho mais humano, e mais ético, é aquele onde a responsabilidade e o respeito a si mesmo e ao outro é o valor fundamental. Onde ninguém possa olhar ninguém como objeto. Onde ninguém seja usado como algo descartável. Precisamos aprender que os instintos não mandam no coração e na razão, quando eles são educados para a têmpera e para o autocontrole. Ser auto controlado não significa privar-se de ser “mais feliz”, muito pelo contrário. Gostaria de mostrar três simples exemplo:

1º caso - Dois jovens vão a uma grande festa. O primeiro, quer aproveitar o máximo: pula, dança, bebe, namora e envolve-se sexualmente com uma mulher, usa preservativo é claro; o segundo por sua vez, também quer aproveitar o máximo: pula, dança, bebe, namora e prefere não ter relação sexual com ninguém. Será qual dos dois terá mias chance de adquirir uma DST? Ou qual dos dois optou por um respeito maior a si mesmo e aos outros? Sendo que o segundo pode ter sido tão feliz quanto o primeiro.

2º caso - Uma pessoa não consegue realizar-se, (sentir-se bem, ser feliz) caso passe um final de semana sem tomar uma cerveja, ou várias, para ela seria um absurdo se isso acontecesse, ou seria um grande sofrimento, no entanto, um amigo desta pessoa não toma cerveja e é tão feliz quanto ela.

3º caso – Se você fosse a uma praia e lá estivesse uma placa escrita: Este é o melhor lugar para o banho, porém, aqui o banhista terá 20% de chance se ser atacado por um tubarão। Será que você tomaria banho lá? Há estudos que defendem a ineficácia de preservativo em até 20% no contágio da AIDS.

Não é uma atitude ou comportamento específico que vai definir a nossa felicidade. Já dizia o grande pensador Epicuro: “A felicidade não consiste em adquirir nem em gozar, mas sim em nada desejar, consiste em ser livre”. Pensar assim, ou de maneira parecida, muitas vezes é ser questionado, pois, nos tempos pós-modernos, a sociedade como um todo, é induzida a pensar que ser feliz é conquistar os prazeres imediatos, não sabendo os defensores desta idéia que essa postura está levando a civilização humana ao caos, a crises profundas, e pode levar ao seu próprio suicídio.
Pode parecer, portanto, absurdo, retrógrado, contraditório, mas a postura da Igreja em manter-se pregando os valores humanos acima de qualquer método moderno ainda apresenta-se para mim como o caminho mais viável. O que pode está necessitando talvez seja de um aprofundamento sobre questões como esta que nos confronta com a nossa vida concreta e com a vivência diária na busca de uma vida cada vez mais humana, cada vez mais divina, cada vez mais amável, pois o Grande criador, criou tudo por amor. Não existimos por acaso.