quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“UM CERTO APICULTOR”

Apicultor é o nome que se dá a quem cultiva apis (abelha).

Você sabe ou já imaginou o que é uma abelha? Ela é um inseto ou um animal?

Podemos considerá-la inseto porque se identificam com essa classe biológica? Ou podemos considerá-la animal, por ser cultivável, produzir tanto mel e outros produtos que servem de fonte de renda, remédio e alimento à humanidade e até outros animais? Ou ainda poderia defini-la em outros conceitos? Quem sabe alguém prefira denominá-la praga, por achá-la tão agressiva e simbolizar perigo. Apesar dela apenas defender-se quando sentem-se ameaçada.

A final abelha é inseto, praga, animal ou ainda algo diferente disso?

Posso garantir-lhe que existem pessoas que considera abelha algo bem diferente:


“Um certo apicultor”, a considera inúmeras coisas, menos inseto, animal, ou praga, para ele as abelhas são fonte de vida: sua indústria de alimentos, sua empresa, seu emprego, seus empregados, seu banco, seu exemplo de organização, seu esporte, seu médico, suas parceiras na preservação do meio ambiente... Talvez você não tenha entendido, não se preocupe, tentarei explicar melhor।


Sua indústria de alimentos: além do consumo do mel como um ótimo alimento, é com a venda do mesmo que ele compra os demais alimentos necessários para o consumo próprio e familiar. Visto que, dependendo do manejo, cada colméia chega a produzir mais de 100 Kg de mel por ano, além dos outros produtos de valor comercial ainda mais alto;
Sua empresa: ali, ele aplica todas as suas forças e capacidades, organizando e controlando da melhor maneira possível, garantido lucratividade e estabilidade econômica e social;
Seu emprego: trabalha e vive de sua atividade com a apicultura;
Seus empregados: são as abelhas as responsáveis pela produção do mel e dos demais produtos que lhe fornece renda, elas fazem o que ele vende ou consome, mas é incapaz de fazer;
Seu banco: a cada real aplicado ele ganha muito mais, os juros são altos. Ele guarda parte da produção e vende à medida que necessita do dinheiro, como se fosse sacar da sua conta;
Seu esporte: sua rotina de manejo e saudável e prazerosa, uma picadinha de abelha de vez em quando faz até bem e, muitas vezes mexer com abelhas, apesar de ser trabalho duro, também é diversão;
Seu medico: por recorrer aos seus produtos para vários problemas de saúde. O mel, pólem, a própolis, a geléia real e a apitoxina são todos de grande valor medicinal para várias doenças;
Seu exemplo de organização: observando as colméias ele percebe que ali existe harmonia, cada um tem sua função, sendo a rainha a líder que conduz as demais. O mais interessante é que cada uma faz o que lhe compete. Não há briga, preguiça, cobiça ou teimosia, mas sim, paz e organização. Talvez seja essa a principal causa de tanta produção;
Suas parceiras na preservação do meio ambiente: com a apicultura evita-se o desmatamento, pois não há necessidade de cultivar o solo, e sim, que exista plantas para florir. As abelhas,por sua vez, ao captar o néctar das flores para transformá-lo em mel, faz ao mesmo tempo a polinização das plantas, garantindo assim, maior produção e proliferação de várias espécies vegetais;

Espero que agora entenda porque um “certo apicultor” define as abelhas quase que como um Deus para si. O que você acha? Concorda com ele?
Vejamos agora outro aspecto. De que e como é feito o mel? Sua composição é uma das mais ricas, alguns nutricionistas afirmam que o mel é o alimento mais completo do mundo, perdendo apenas para o colostro materno. Se é tão rico, se têm tantas qualidades, por que não o fabricamos? .Aí está um enigma! O homem se diz tão evoluído, a ciência se diz tão capaz, mas não consegue o que um animalzinho, ou um pequeno inseto, ou como queira chamar faz. Só sei que é algo tão pequeno e consegue algo tão valioso e com tanta facilidade! será que somos mais incapazes que as simples abelhas?
Tentaremos ver que não. Espero que concorde. Não somos capazes de produzirmos o mel que só as abelhas produzem, mas as abelhas produzem perfeitamente o mel e, somente o mel, mesmo que também produza mais uns cinco ou seis outros produtos e pronto. Nós humanos produzimos milhões de coisas, milhões de objetos, transformamos os produtos apícolas em mil e uma coisas. Aí está a nossa capacidade, de multiplicar, de transformar o que já existe. Somos capazes de construir um mundo ideal, e até de destruir o mundo que temos. SOMOS CAPAZES, ao mesmo tempo, SOMOS LIMITADOS. Na generalização somos os seres mais capazes do planeta, na individualidade não passamos de um ser capaz de criar algo novo, assim como todos os outros seres.

Voltamos à questão inicial! Depois dessa discussão. Pergunto-lhe, a abelha é um animal ou um inseto? E nós o que somos? Poderia discutir bem mais sobre isso, vou parar por aqui, deixo para você fazer a conclusão.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TODA PESSOA PODE SER CONSAGRADA

O termo consagrado tem um sentido religioso de entrega total, “separado para Deus”. O sentido que aqui quero aplicar é numa dimensão verdadeiramente humana, uma vez sendo um termo estritamente e profundamente humano torna-se divino, pois o humano é divino. Ora, toda pessoa enquanto ser humano deve consagrar-se para alcançar de modo sempre mais pleno a sua felicidade.

Faz alguns dias estive com duas professoras de Bíblia, preparávamos um curso. Em um dado momento algo nelas me fascinou: como elas falavam com empolgação vinda da alma, a cada descoberta, a cada comentário, a cada reflexão! Sabiam infinitas coisas e sempre empolgavam-se ao descobrir mais um detalhe. Concluí: elas consagraram a vida ao estudo e ao ensino da Bíblia.

Mas elas não são as únicas. Quando estudei filosofia, a coordenadora do curso tinha mais de 80 anos, nunca casara. Aposentada como professora de filosofia, mas ainda faz questão de ensinar, chegou a escrever algumas obras. Vive contente fazendo aquilo que gosta e decidiu fazer. Ela sim, “sabe quase tudo de filosofia”. Esta foi, sem dúvida, alguém que se consagrou àquilo que gosta de fazer.

Voltemos para nossa individualidade. Você já descobriu o que mais gosta de fazer? Com certeza as pessoas que se dedicam totalmente ao que gostam de fazer, vivem uma vida de doação e amor imensurável, são sempre felizes e realizadas, pois no amor incondicional pelo que fazem, vivem sua vocação, seu chamado. Torna-se verdadeiramente pessoa humana e naturalmente resplandece o divino.

Ninguém precisa ser uma pessoa com uma especialidade a mais para consagrar-se à sua vocação. Cada um pode descobrir “àquilo” que lhe realiza e se empenhar de corpo e alma nisso que a vida, que o mundo, que Deus lhe oferece.

A busca da nossa vocação, da nossa missão, deve ser constante. Nem sempre é necessário ser uma coisa grandiosa. Conheço uma faxineira que me parece consagrada ao que faz. Faz seu trabalho durante o dia com muita dedicação e amor, ao chegar em casa continua a servir no seu compromisso de mãe e esposa. Sempre demonstra uma realização e uma felicidade pessoal que erradia para quem dela se aproxima.

Outro fato me marcou: um casal alemão decidiu ser missionário no Brasil। Faziam um excelente trabalho social num bairro pobre de uma cidade do Nordeste. Quando tiveram o primeiro filho, a criança nasceu com síndrome de down. Foram obrigados a abandonar o trabalho que faziam e dedicarem-se integralmente a cuidar do filho deficiente. Certo dia a mãe confessou: “agora estou exercendo a verdadeira missão que Deus tinha para mim. Cuidar do meu filho”. Esta mãe consagrou sua vida a cuidar do filho deficiente.

Portanto, você também pode ser uma pessoa consagrada. Seja como mãe, como pai, professor(a), médico(a), catequista, estudante, policial, jogador de futebol... Ouso-me a dar-te um conselho: consagre sua vida àquilo que você gosta, à luz da vontade de Deus e serás sempre mais feliz. Mas se queres ser ainda mais radical, adéqüe o que você gosta à entrega total no seguimento de Cristo e descobrirá que Ele é a felicidade plena! Deste modo, aos poucos você antecipará o céu na terra.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

COTAS RACIAIS: UM BEM OU UM MAU?

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (Unb) em 2008 confirmou o equívoco de uma visão midiática, elitista e fundamentalmente racista, referente às contas raciais. A política de cotas adotada pelo governo Lula em 2003, possibilitou em 2004 a realização do primeiro vestibular onde alunos negros e índios ingressaram no ensino superior graças àquela política afirmativa.

Até que essa política fosse adotada, permanecia intocada uma situação revoltante na qual os recursos públicos financiavam os estudos universitários majoritariamente de brancos das classes A e B. O principal argumento contra as cotas foi: a adoção do sistema de cotas provocaria “prejuízo acadêmico” às universidades, ou seja, o estudante negro ou índio seria intelectualmente inferior ao estudante branco de classe média e alta e, por isso, as universidades formariam profissionais “despreparados”.

Segundo pesquisa da UnB, a primeira turma de cotistas raciais a se formar no país chega ao fim de vários cursos mostrando desempenho bem superior ao dos alunos não cotistas. Numa escala de 0 a 5, os cotistas alcançaram em média, um coeficiente de rendimento de 3,9 contra 2,3 dos não-cotistas, e a médias de trancamento de matricula entre cotistas é de 0,5 contra 1,0 dos não-cotistas. Já as reprovações entre os cotistas alcançam 1,5 contra 3,5 dos demais.

É alto o contingente de alunos das classes sociais superiores que consegue vagas no injusto sistema tradicional e depois terminam por abandona-los no meio. Apesar dos negros pobres não terem os mesmos recursos para comprar livros e não disporem de tanto tempo para estudar quanto os filhos da elite branca – que não precisam trabalhar e, assim, pode se dedicar apenas aos estudos -, quando você dá oportunidade a esses jovens de um setor difamado e discriminado da sociedade, a dedicação é bem maior eu aqueles que sempre ganharam tudo “de mão beijada”.

Mesmo assim as cotas enfrentam resistências, elas não foram adotadas em todas as universidades. Não é por outra razão que o resultados dos estudos demonstrando que os cotistas raciais superam os não-cotistas vem sendo escondidos pela grande mídia branca e racista. Mas aos poucos será veremos ver numa cidade como São Paulo alguns médicos negros, coisa que hoje é quase impossível. Pois os governos estaduais têm impedido a política de cotas nas maiores universidades públicas de São Paulo.

Gostaria de esclarecer que esta análise é feita por Eduardo Guimarães – Executivo, editor do blog Cidadania, onde você encontra a matéria completa – ele pertence a esta classe social beneficiada pela injusta política de ingresso no ensino superior gratuito que infelizmente ainda predomina no Brasil, Eduardo defende as cotas, mesmo não precisando delas, por ver nelas uma forma que ajuda a edificar a sociedade mais justa com a qual todos sonhamos।
Todavia, as cotas continuam sendo um paleativo vergonhoso, apesar de trazer seus grandes e inegáveis benefícios। Mas já está na hora de revolucionar o ensino público, proporcionando a todos um ensino básico de qualidade, tirando até mesmo a razão de ser dos vestibulares e, se alguém tem que pagar para cursar universidades que seja os pagantes das escolas particulares.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Jesus e seus Seguidores
Desde quando Jesus começou seu anuncio até os nossos dias, sempre teve muitos seguidores. Quais os motivos que levaram e ainda levam tantos a segui-Lo? Tomando por base o texto de Mt 8, 18-22, tentaremos traçar um caminho de entendimento.

O evangelista Mateus traz a perícope citada acima dentro de uma seção de dez milagres, logo após, ter anunciado seu sermão na montanha de Cafarnaum, desde então o escritor sagrado vem destacando sempre o Cristo acompanhado de uma grande multidão: “Ao descer da montanha, seguiam-no multidões numerosas” (Mt 8,1). (Vendo Jesus que estava cercado de grandes multidões... (Mt 8,18). É exatamente no meio desta multidão de seguidores, depois da narrativa de alguns milagres, que dois personagens ganham destaque: o primeiro, diz que vai seguir o Mestre onde quer que vá (“Mestre eu te seguirei para onde quer que vás” – Mt 8, 19); O segundo pede para antes enterrar o pai (“Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai” – Mt 8,21). Aos dois Jesus dá uma resposta enigmática. Ao primeiro, diz que até os animais tem mais conforto do que Ele: “As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” -Mt 8,20; ao outro, não dá-lhe permissão alguma: “segue-me e deixa que os mortos enterrem seus morto”- Mt 8,22.

Como um homem tão pobre e tão exigente atrai a tantas pessoas? É exatamente ai que estão vários dos motivos da sua “atração”. Este, não é um homem qualquer. Ele é o Mestre dos mestres, (com lhe tratou o escriba) “chegou-se a ele um escriba e disse: ‘Mestre eu te seguirei para onde quer que vás - Mt 8, 19’”; o Senhor de todos, principalmente dos seus seguidores (como lhe tratou seu discípulo) “Outro dos discípulos lhe disse: ‘Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai’”. Não é um Deus imaginário. É o Filho do Homem, homem concreto, mas divino, (como se autodenomina Cristo) “Jesus respondeu: ‘As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’”. Por isso, segui-lo vale a pena. Não importa o que fica para traz, é muito pouco diante da sua escolha. Você vai seguir de modo mais concreto possível, aquele que é a razão da sua existência. É assim que Jesus se revela a cada ação e nesta não foi diferente. Todos são convocados a reconstruírem seu modo de viver e ser, pois agora conhecem de modo bem palpável, a razão de todo existir, pois ele não se esconde, não tem nem onde morar, mas pode estar sempre com cada um. Segui-Lo é tornar-se salvo, livre, homem novo, “Igreja nova”.

Uma multidão seguia Jesus, talvez mais pelos seus milagres; Jesus deixa claro que segui-Lo é muito mais exigente que simplesmente querer, receber e ver seus milagres. Ele nos chama, mas não nos engana. Quem quiser segui-Lo terá que passar pelas dificuldades próprias da mentalidade evangélica. O seguimento de Cristo nos tira das nossas raízes e nos desestrutura. Somos obrigados(as) a renunciar à nossa existência pacata, medíocre e acomodada. Para seguir a Jesus é preciso, também, não ter casa, não ter abrigo nem mordomia, isto é, não ter raízes em lugar nenhum.

Portanto, vemos também a preocupação de São Mateus em ressaltar sua Eclesiologia, A Igreja é convidada a um seguimento radical ao Cristo, Pedra fundante, capaz de mover todos a Ele, capaz de retribuir e ultrapassar qualquer valor cultural e humano que possa nos acompanhar como algo grandemente valioso. O Cristo vale mais que tudo, em Mt 10, 37 Ele diz: “Aquele que ama pai e mãe mais do que a mim, não é digno de mim”. Quem quiser seguir a Cristo, terá sim sua recompensa, não em plena glória aqui na terra, mas com a cruz. Com estas palavras de Jesus termino minha reflexão: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida, a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim, a encontrará.

Em suma, a maior promessa de Cristo é um antagonismo: perder a vida, mas ao mesmo tempo ganhar uma nova. Sobretudo por isso, tantos o seguiram e o seguem, não importando as conseqüências.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O SER HUMANO DESUMANO

Como é possível em um mesmo mundo haver tantas diferenças humanas? Por que alguns seres humanos parecem ter nascido para serem mais dignos do que outros?

A ciência evolui, o homem se diz cada vez mais civilizado, mas os problemas fundamentais da vida humana parecem continuar os mesmos ou até piores. Seguiremos analisando alguns aspectos:
A medicina está tão evoluída, mas, mesmo assim, não cura todas as doenças, e mais, há milhões de pessoas no mundo com seus cuidados básicos e mínimos de saúde negligenciados.
Fala-se que estamos na era da comunicação! Mas nunca o homem esteve tão isolado na sua individualidade, tão individualista! “É eu e o meu mundo”. A comunicação torna-se cada vez mais artificial e menos afetiva, como conseqüências as pessoas se esvaziam a cada dia.
Sempre houve ladrões em todos os períodos históricos। Mas a cada dia aumenta a sensação de que estamos em um mundo sempre mais corrupto, sobretudo, no meio político.

Faz anos que ambientalistas chamam a atenção para o perigo da devestação ambiental. O planeta não suportará o nosso modo predador de usá-lo. Todavia, grandes empresas, grandes indústrias, importantes políticos, pequenas empresas, pessoas simples como nós, continuam a devastar impiedosamente. Em nome de uma ambição e de um bem estar imediato. São pouquíssimas as pessoas que assumem de fato um comportamento “ecologicamente correto”.
São muitíssimos os miseráveis no mundo। Pessoas que não vivem, mas morrem aos poucos enquanto sobrevivem. Por outro lado, há um mundo paralelo: milionários que possuem paraísos; sentem-se seres superiores, no direito de desfrutar o que o planeta e a civilização pode oferecer dizendo ser o melhor.

Será que se cada um de nós tivéssemos a oportunidade de si tornar milionário, mesmo que isso implicasse ferir a dignidade do outro, teríamos coragem de abrir mão e continuar vivendo uma vida simples?
O desafio da pós-modernidade é levar a humanidade a ser novamente humana. Para isso é que deveria ser direcionado todos os esforços humanos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

MARIA É COROADA!


Proponho-me, no escrito que segue, não desenvolver um tratado de Mariologia, mas apenas expressar um fato concreto; dividir a minha experiência de fé e devoção mariana.

Como sabemos a Igreja dedicou o mês de maio à devoção a Mãe de Jesus. O Papa Pio XII instituiu a festa da Coroação de Maria como Rainha do Céu, determinando que se fosse celebrada no dia 31 de maio, o “mês de Maria” (se bem que liturgicamente o mês de dezembro é muito mais mariano, esperamos o menino que nos vem até nós através de Maria; temos várias festas marianas; mas a voz do povo é a voz de deus, assim as tradições populares definiram maio como “mês de Maria”) Em muitas comunidades de metrópole, bem como em interiores mais esquecidos, este é um mês muito vivo em orações e atividades dedicadas a: devoção, invocação, petição, e louvação à Maria Santíssima.

No ultimo dia de maio, portanto, muitos sonham em carregar a coroa da mãe de Deus, outros em cantar solenemente no momento da coroação, outros ainda em apenas contemplar esse momento comovente. É extraordinário! A solenidade de coroação de Maria gera em nós, uma emoção inexprimível, inefável, inexplicável: choro, alegria, arrepios, amparo, consolo... É assim a sensação de muita gente que participa e contempla esse gesto tão simples e tão majestoso.

Que bom saber que temos uma mãe rainha! Ela é o tecido vivo da Igreja, foi Eva, nossa primeira mãe de quem a Virgem é réplica celestial. Há quem diga que ela não é nem rainha nem nossa mãe. Mas se ela é mãe de Jesus, não podemos negar isso. Pois Jesus é Rei, Jesus é nosso irmão. A própria Escritura nos diz que somos irmãos em Cristo. Pois bem, Maria é a mãe do Rei (Jesus), por isso é Rainha. É claro que o lugar da Virgem é diferente do lugar do Cristo: ele é Deus encarnado e ela e o ser humano divinizado; mas quando o Cristo sobe ao Pai, nos deixa uma Mãe. Entrega-nos pessoalmente, para que sua mãe seja mãe da Humanidade; diz pregado na Cruz ao seu discípulo João: “EIS AI TUA MÃE”. (Jo, 19,27).

Pode se ter uma visão completa das coisas se o elemento feminino for eliminado? A maternidade impregna algo muito profundo, uma matéria que sublima, se abri, caminha ao encontro da graça, como um cálice recebendo a vida, algo que sobe mais alto que os querubins e os sarafins.

O motivo de tanta emoção com a coroação de Maria, deve ser porque nos sintamos príncipes e princesas, pois temos uma mãe rainha. Que entusiasmo, pois como princesas e príncipes, podemos dizer que também somos coroados.

Neste entendimento, tem um pequeno perigo: o nosso orgulho. Imaginamos logo uma coroa de ouro, belíssima, valiosíssima; esquecemos a coroa que Cristo recebeu. Devemos ser príncipes e princesas sim, mas coroados de amizade, simplicidade, honestidade, perdão, bondade, de amor.

Convido a cada um e a cada uma, portanto, a participar da solenidade de coroação de Nossa Senhora, nossa Mãe, e sentir-se príncipe e princesa coroados de amor. Dia 31 de maio, é um dia propício de rezar à Maria Santíssima, de ser abençoado por ela, fazer a experiência de ser coroado, pois a Igreja celebra sua Visitação e sua coroação.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

UMA VIDA – UMA NOVA VIDA

Algo aconteceu! Um acidente! Um incidente! Uma lição!

No dia 19 de junho de 2007, estava morando em Alagoinhas-Ba, sendo voluntário na Pastoral do Menor. Exatamente nesta data, fiz uma visita ao Padre Edvanio no Seminário Propedêutico. Pareceu uma visita normal, mas não foi. Fui convidado a permanecer e almoçar, aceitei. Tivemos uma longa conversa íntima. O Padre lembrava uma reunião com as lideranças da Paróquia Santa Terezinha, a qual, ele estava assumindo. O ultimo convite iria ser entregue naquela tarde na comunidade do Encantado. Terminado o almoço retornei ao trabalho.

Às 18h fiquei sabendo que o Pe. teria sofrido um acidente, partindo de imediato para Salvador, em estado grave, fora de si. Preferi não acreditar, tinha estado com ele, isso seria boato! Passando pela Matriz de Santa Terezinha encontrei algumas senhoras rezando pelo Padre e me confirmaram o fato. Fui para casa (Pastoral do Menor) rezei a Deus e dormi. Enquanto isso no Seminário em Salvador a notícia chegou que ele tinha morrido. Muito choro! Tenções! Que noite aquela! Daí em diante, muitas orações! Mas as notícias eram sempre pouco animadoras. “Permanece em coma profundo”. Dez dias depois, após ouvir tantos dizer que não teria mais jeito, eu mesmo decidi ir vê-lo no hospital. Entrando na UTI do hospital Sal Rafael, o vi, apesar de muito inchado, não estava irreconhecível como me disseram. Comecei apertar a mão dele e para minha grande alegria senti que ele retribuía. Comecei a conversar entusiasmado com ele e percebi uma mudança na respiração, parecia mexer-se um pouco. Voltei radiante, feliz da vida, “meu cumpade” não iria morrer.


Quatro meses depois do acidente

Presidindo sua primeira Missa na Terra natal

Quando contava sobre minha visita, muitos diziam que era mentira ou ilusão de minha parte. Continuavam dizendo que não havia muita esperança. “Edvânio já era”.

Mas Deus tinha outros planos. Pe. Edvanio (meu cumpade), está ai, para nossa alegria e para fechar a boca e o pensamento de tantos que desacreditaram no que Deus e ele era capaz.

Hoje, pouco menos de dois anos, para minha alegria e de todos os seminaristas, o Padre é nosso Vice Reitor, Deus tem seus caminhos. Lembro do Bispo Dom Paulo, que deu um grande testemunho de acolhimento e empenho total no cuidado maternal e paternal na recuperação desse “seu Filho”. Quanto bem, esse fato gerou!

Parabéns, Padre Edvânio, o senhor é nosso Orgulho. Exemplo de fé, exemplo da ação de Deus.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

POR QUE A IGREJA É HIPÓCRITA?

Talvez você também já tenha se feito esta pergunta. Muitos não a admite, mas dizer o contrário é sim inaceitável. Calma!

Primeiro vamos ver o sentido da palavra hipócrita aqui apresentado. Podemos dizer que ser hipócrita é ser falso, fingido, dizer ser algo que não é. Resumamos:
ser hipócrita é ser pecador.

Vejamos como ficou a pergunta inicial. Porque a Igreja é pecadora? Acredito não haver ninguém com objeção a essa pergunta. A conclusão ou constatação de que a Igreja é pecadora, nos mostra uma contradição: como pode uma Igreja ao mesmo tempo Santa e pecadora? Sobre a santidade da Igreja falaremos numa próxima oportunidade. Voltemos à questão.

Por que acontece tantos erros “na Igreja”? Ora, os erros são cometidos pelos membros da Igreja, que apesar de haver tantos “santos e santas”, homens e mulheres de excelente conduta e exemplo como membros como efetivos da Igreja, há também homens e mulheres de condutas nada corretas, os quais, muitas vezes, denigrem a imagem da instituição referida.

Mas a final, qual o homem que nunca errou e que nunca errará? A raiz da hipocrisia não é difícil de ser percebida, está na nossa incapacidade de sermos perfeitos.

Antes de perguntar porque a Igreja é hipócrita, a interrogação deve ser feita a nós mesmos. Porque as pessoas são hipócritas? Porque eu cometo tantos erros? Desta maneira nos daremos conta que por mais éticos e religiosos, ou mesmo “santos” que somos, seremos sempre incapazes de ser perfeitos.

Portanto, só nos resta um caminho, que é bíblico inclusive. Crescer o joio e o trigo juntos. Assim, a hipocrisia na Igreja, não é nada mais, que parte da nossa hipocrisia individual. Talvez os que a conduzem de forma mais direta tenham maior responsabilidade, mas em princípio, todo cristão batizado é Igreja.

Resta-nos, finalmente, o reconhecimento de que estamos todos no mesmo “barco”. Buscamos a honestidade, a bondade, a santidade... Mas nem sempre conseguimos. Ao invés de condenar os outros, ou mesmo a Igreja, devemos ter misericórdia e ser solidários para com o próximo, ajudá-lo a ser melhor. Por isso, nem sempre a Igreja condena, mas acolhe, e mesmo que ela condene, Deus jamais condenará, basta que aconteça o arrependimento e abertura ao perdão.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

QUEM REALMENTE DEFENDE A VIDA?

O caso do aborto da menina de 9 anos em Pernambuco, trouxe à tona um assunto que “borbulha” na sociedade brasileira: O ABORTO. São praticados tantos no país! Mas porque a mídia deu tanto respaldo a este?

Por que esse, é realmente, um caso especial! O fato de ser gravidez por estupro, a lei do país já permite aborto (com a permissão da mãe ou responsável). A ocorrência de a mãe ter apenas 9 anos, torna o caso incomum, sendo gêmeos, mais raro ainda.

A versão médica é clara: a menina corria risco de vida. Seria a morte das três vidas. “Era só uma questão de tempo”. Logo, salvou-se a vida de nove anos matando as duas que se iniciavam.

A “Igreja” (Bispo de Olinda) também pronunciou-se de imediato. Estão excomungados os pais que autorizaram e a equipe que provocou e assistiu o aborto. A doutrina da Igreja é muito clara, sem meio termo. Matou ou colaborou com a morte de um inocente indefeso (aborto) está automaticamente excomungado, isto é, fora da comunhão da Igreja, seria dizer: “se você não se deixa orientar no que há de mais essencial da Igreja Católica, então você está fora dela”.

Se seguirmos a lógica e a versão apresentada pela medicina, os médicos agiram “corretamente”, salvaram uma vida em risco, mesmo matando outras duas. “Melhor uma do que nenhuma!?...”

Agora o outro lado da história: a mãe e o pai da menina foram pressionados pela equipe do hospital a assinar a autorização do aborto na filha; não chegou às mãos dos conselheiros tutelares, que acompanhavam o caso bem de perto, nenhum boletim médico oficial onde mostrasse o verdadeiro estado da paciente, pelo contrário, uma grande negligência neste sentido; uma semana depois do fato, uma criança na Amazônia, após três meses no hospital sendo acompanhada pela equipe médica deu à luz uma criança.

Em 1939, a medicina tinha condições de fazer uma cesárea em menina de cinco anos e salvar a vida dela e do filho. Como de fato ocorreu, no Peru, até hoje é famosa na medicina e considerada a mulher que se tornou mãe mais jovem no mundo . Em 2009, através de inseminação artificial, consegue-se manter até o final uma gravidez de óctuplos. Será porque no caso de Pernambuco tudo pareceu tão diferente? A medicina regrediu?

Estavam mesmo as três vidas prestes a morrer? Esta pergunta já pode ter outra resposta! Como se ver, há outros interesses, outros valores por trás. A atitude foi no mínimo, apressada e precipitada. O Bispo, por sua vez, deveria ter conhecido mais de perto a situação para depois se pronunciar, evitando as distorções feitas pela mídia, sem deixar de defender a nossa sábia, responsável e respeitada Igreja Católica.

O maior problema, me parece, é que cada vez mais a consciência humana já não consegue distinguir o que é bem e o que é mal. Toda pessoa sensata escolhe a vida. Mas dizendo-se defensor da vida, às vezes se provoca muito mais morte. Por isso, para alguns analistas, vivemos numa cultura de morte. Matar um feto ou uma criancinha que ainda não nasceu; matar um “velhinho” que já “não serve mais”, às vezes só porque não tem mais a energia dos “novos”, é visto como ato de amor.

Para defender a vida, muitos são totalmente contra o uso e manipulação das células-tronco embrionárias. Em defesa da mesma vida, muitos são totalmente favoráveis. Semelhante a isso são as realidades do aborto, (como a história que estamos analisando) da eutanásia, do uso de preservativo, violências diversas, agressão ao meio ambiente. Há muita destruição da vida em nome da sua defesa. Vivemos em um momento crítico e decisivo em que a humanidade se vê diante da possibilidade real de auto destruição. O perigo é “em nome do progresso a humanidade se regredir a um estilo de vida de tempos que foram denominados de bárbaros”.

Que os “absurdos” humanos trazem conseqüências aos próprios homens e seu ambiente, é um fato. Mas fazer outros “absurdos” para esconder estas conseqüências, é não querer ser responsável pelos nossos próprios atos.

Tirar a vida de um inocente (abortar) pode “resolver” vários problemas: a irresponsabilidade social dos governos; a irresponsabilidade dos pais para com aquela nova criança; apagar as conseqüências, mais negativas, do uso do corpo como objeto; esconder a vergonha, a descriminação e as dificuldades de uma gravidez indesejada e tantos outros.

Pelo que vejo, cedo ou tarde o aborto será dispenalizado no Brasil, mas a morte de um inocente jamais será dispenalizada por Deus ou por uma consciência sadia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

VOCÊ TAMBÉM É DE PAZ!

Todo ser humano em princípio é promotor da paz. Mas nem sempre vemos somente a paz onde há pessoas. São pouquíssimas as pessoas que se reconhecem como violentas. No entanto, cada pessoa de paz por vezes provocam violência, às vezes conscientes, às vezes inconscientemente. Muitas vezes perdemos o senso de justiça. Nos diz o lema da Campanha da Fraternidade 2009: A paz é fruto da justiça. Portanto, se há um ambiente violento, há injustiça.

Se a maioria das pessoas não fosse de paz, o mundo seria um caos total. Todavia, a maioria das pessoas, ou talvez todas, em certos momentos causam ou contribuem para a violência.

Quando ouvimos ou falamos em criar uma cultura de paz, poucas vezes pensamos em nós mesmos, mas nos outros. Ora, será que você nunca gerou violência, ou não será capaz de levar mais paz por onde passa?

Aqui recordo as temáticas das três ultimas Campanhas da Fraternidade: “Meio ambiente” (2007), “vida” (2008), “Paz” (2009).
Pergunto a você Cristão: Houve alguma mudança concreta em sua vida, perante ao meio ambiente? Em valorizar e defender a vida? E agora em promover a paz? Se nada mudou em você, há algo errado! Talvez o primeiro passo para mudar o mundo seja mudar a si mesmo। Ainda há tempo! Tenhamos coragem e comecemos nossa própria mudança!

quinta-feira, 26 de março de 2009

PRESERVATIVO: USAR OU NÃO USAR?

A opção de escrever sobre este assunto, um tanto quanto polêmico, deu-se pelo fato de que pouco se fala e escreve sobre o mesmo de forma aprofundada, mas decidi-me efetivamente quando, abriu-se a discussão a este respeito com uma turma de estudantes, na qual, eu era facilitador da disciplina de redação. Para nossa alegria “ou tristeza” a princípio foram todos unânimes em dizer que devemos usar e nos prevenir.

Deu-se a discussão onde os convidei a sair da superficialidade e analisar a questão de forma muito mais profunda. Assim, saímos da idéia de que: ser contra é coisa da Igreja, ou de quem é atrasado, ignorante, alguém muito certinho; ser a favor, no entanto, é ser moderno, inteligente, optar por prevenção, ou quem sabe desrespeitador de valores e princípios. Não queremos falar disso agora, existe algo muito mais sério que isso; na realidade atual, muito mais que ser contra ou a favor, é preciso discutir e perceber as conseqüências de ambas as partes. É a isto que me proponho nestas poucas linhas. Não simplesmente expor uma visão ou outra, mas trazer à nossa percepção que o assunto merece muito mais aprofundamento e reflexão. Muito mais que condenar ou liberar, temos que nos educar. “Eduque! Depois...”

É fundamental trazer presente as mudanças socioculturais e religiosas no decorrer dos anos. É fácil perceber a grande mudança na escala de valores, o mundo pré-industrializado e predominantemente agrário, já não responde mais aos anseios do mundo moderno. Valores familiares, religiosos e éticos são freqüentemente substituídos por outros, com isso, os comportamentos também vão se modificando. Antes ter muitos filhos era valor, hoje é visto como um peso. Se a virgindade era tida como uma questão de honra para a moça e seu círculo familiar e social, hoje muitas vezes chega a ser questionado. Em um passado ainda recente, a palavra valia mais que qualquer documento, como se dizia no Nordeste: “respeite o bigode do homem” o que valia era o invisível, hoje o que vale “é está na onda” o que é palpável, nem documento mais vale.

Claro que nada disso é por acaso, é gerado por toda uma ideologia, que manipula, veicula e empurra sua idéia, massificando e matando a nossa história. Já participei de palestras sobre educação sexual onde a única coisa que se fez foi explicar como se usa camisinha, depois todos saíram com dois ou três preservativos em mãos e os palestrantes convencidos da boa educação sexual de todos que participaram. Às vezes as campanhas de prevenção de DSTs parecem mais campanhas de incentivo ao sexo sem compromisso e irresponsável, chegando em certos casos a parecer mais pornografia, sem uma preocupação com a prevenção real das doenças. Basta usar camisinha e pode tudo! Quando se sabe que a mesma não é 100% segura, fala-se da existência de aproximadamente 70 DSTs, enquanto que o preservativo previne apenas 30 delas. Veja bem! Prevenir não é o mesmo que impedir.

Certamente no contexto em que vivemos o preservativo deve ter seu valor, mas não compete a mim negar ou afirmar isso neste momento. O que quero deixar claro é que esse artifício, pode ser uma armadilha. Muitas vezes a camisinha nos é apresentada como a “solução”, a “segurança”, a “salvação”, mas não chega a ser tudo isso. Também parece que os únicos motivos que podem levar o homem e a mulher a deixar de ter relações sexuais são: as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada, caso estes dois problemas sejam resolvidos, (é o que promete o preservativo) o sexo para o homem pode ser como para os animais, pelo instinto, sempre que desejar, em nome da liberdade. Será que isso é ser livre? Será que isso vai realmente fazer o homem feliz? E nossa razão para que serve?

Você pode impedir até as doenças e a gravidez, mas evitar as marcas deixadas no coração de um envolvimento sexual onde a responsabilidade e o respeito a si e ao outro não foram observados, isso é mais difícil, mais cedo ou mais tarde, terá pessoas machucadas e até de corações destruídos. Neste sentido os sentimentos de mãe ainda prevalecem. Mesmo nos dias atuais nenhuma mãe deseja para sua filha ou mesmo para o filho, uma iniciação sexual tão cedo e sem compromisso, ela é consciente das conseqüências que isso pode acarretar.

O caminho mais humano, e mais ético, é aquele onde a responsabilidade e o respeito a si mesmo e ao outro é o valor fundamental. Onde ninguém possa olhar ninguém como objeto. Onde ninguém seja usado como algo descartável. Precisamos aprender que os instintos não mandam no coração e na razão, quando eles são educados para a têmpera e para o autocontrole. Ser auto controlado não significa privar-se de ser “mais feliz”, muito pelo contrário. Gostaria de mostrar três simples exemplo:

1º caso - Dois jovens vão a uma grande festa. O primeiro, quer aproveitar o máximo: pula, dança, bebe, namora e envolve-se sexualmente com uma mulher, usa preservativo é claro; o segundo por sua vez, também quer aproveitar o máximo: pula, dança, bebe, namora e prefere não ter relação sexual com ninguém. Será qual dos dois terá mias chance de adquirir uma DST? Ou qual dos dois optou por um respeito maior a si mesmo e aos outros? Sendo que o segundo pode ter sido tão feliz quanto o primeiro.

2º caso - Uma pessoa não consegue realizar-se, (sentir-se bem, ser feliz) caso passe um final de semana sem tomar uma cerveja, ou várias, para ela seria um absurdo se isso acontecesse, ou seria um grande sofrimento, no entanto, um amigo desta pessoa não toma cerveja e é tão feliz quanto ela.

3º caso – Se você fosse a uma praia e lá estivesse uma placa escrita: Este é o melhor lugar para o banho, porém, aqui o banhista terá 20% de chance se ser atacado por um tubarão। Será que você tomaria banho lá? Há estudos que defendem a ineficácia de preservativo em até 20% no contágio da AIDS.

Não é uma atitude ou comportamento específico que vai definir a nossa felicidade. Já dizia o grande pensador Epicuro: “A felicidade não consiste em adquirir nem em gozar, mas sim em nada desejar, consiste em ser livre”. Pensar assim, ou de maneira parecida, muitas vezes é ser questionado, pois, nos tempos pós-modernos, a sociedade como um todo, é induzida a pensar que ser feliz é conquistar os prazeres imediatos, não sabendo os defensores desta idéia que essa postura está levando a civilização humana ao caos, a crises profundas, e pode levar ao seu próprio suicídio.
Pode parecer, portanto, absurdo, retrógrado, contraditório, mas a postura da Igreja em manter-se pregando os valores humanos acima de qualquer método moderno ainda apresenta-se para mim como o caminho mais viável. O que pode está necessitando talvez seja de um aprofundamento sobre questões como esta que nos confronta com a nossa vida concreta e com a vivência diária na busca de uma vida cada vez mais humana, cada vez mais divina, cada vez mais amável, pois o Grande criador, criou tudo por amor. Não existimos por acaso.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

UMA SÍNTESE DO ANO PAULINO E DO APÓSTOLO PAULO

O Papa Bento XVI proclamou um especial Ano Jubilar dedicado a São Paulo, de 28 de Junho de 2008 a 29 de Junho de 2009, para celebrar os dois mil anos do seu nascimento। Serão promovidos Congressos de estudos e especiais publicações sobre os textos paulinos, a fim de fazer conhecer cada vez mais a imensa riqueza do ensinamento contido neles, verdadeiro patrimônio da humanidade redimida por Cristo.

O Ano Paulino brindará a ocasião para redescobrir a figura do apóstolo, reler suas numerosas cartas dirigidas às primeiras comunidades cristãs, reviver os primeiros tempos da Igreja, aprofundar em seus ricos ensinamentos aos gentios, meditando em sua vigorosa espiritualidade de fé, esperança e caridade, peregrinar pelos numerosos lugares que visitou, fundando as primeiras comunidades eclesiais, revitalizar a fé e o papel da Igreja de hoje à luz de seus ensinamentos, rezar e trabalhar pela unidade de todos os cristãos em uma Igreja unida

Quem foi São Paulo?
Paulo nasceu entre o ano 5 e 10 da era cristã, em Tarso, capital da Cicilia, na Ásia Menor, cidade aberta às influências culturais e às trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente। Descende de uma família de judeus, pertencente à tribo de Benjamim, que observava rigorosamente a religião dos seus pais, sem recusar os contactos com a vida e a cultura do Império Romano.

Os pais deram-lhe o nome de Saul (nome do primeiro rei dos judeus) e o apelido Paulo। O nome Saul passou para Saulo porque assim era este nome em grego. Mais tarde, a partir da sua primeira viagem missionária no mundo greco-romano, Paulo usa exclusivamente o sobrenome latino Paulus.

Ele era fariseu, que significa separado do povo pobre, doente e analfabeto। O povo era visto como pecador e impuro eles seriam os puros, os salvos. Paulo deixa de ser fariseu e como cristão ver que Jesus amou e se entregou por toda a humanidade sem fazer distinção. A vantagem de ele ter sido fariseu foi que recebeu uma boa formação acadêmica.

Aprende a falar e a escrever aramaico, hebraico, grego e latim. Pode falar publicamente em grego ao tribuno romano, em hebraico à multidão em Jerusalém (At 21,37.40) e catequizar hebreus, gregos e romanos.
Há quem diga que foi ele quem fundou o cristianismo e não Jesus – exageros a parte, o certo é que ele levou o anuncio de Jesus Cristo para fora da palestina, tornando-o universal।

Paulo caiu do cavalo? Nos atos dos Apóstolos há três narrações da “conversão de Paulo” em nenhuma delas se fala de “cair do Cavalo”. (A sua conversão não foi imediata)
Paulo foi membro do sinédrio, isto é, do tribunal da época de Jesus, Principal responsável pela morte de Jesus. Com as ordens recebidas dos Sacerdotes, Paulo prendia muitos cristãos e dava para condená-los à morte.
Paulo é chamado “o Apóstolo” por ter sido o maior anunciador do cristianismo depois de Cristo। Entre as grandes figuras do cristianismo nascente, a seguir a Cristo, Paulo é de fato a personalidade mais importante que conhecemos. É uma das pessoas mais interessantes e modernas de toda a literatura grega, e a sua Carta aos Coríntios é das obras mais significativas da humanidade.

A palavra “apóstolo” significa enviado, mensageiro। Então o que significa ser apóstolo? O próprio Paulo nos responde em (1Cor 4, 9-13): “Pelo que vejo, Deus reservou o ultimo lugar para nós que somos apóstolos, como se estivéssemos condenados à morte, porque nos tornamos espetáculos para o mundo, para os anjos e para os homens! Nós somos loucos por causa de Cristo; e vocês, como são prudentes em Cristo! Nós somos fracos, vocês são fortes! Vocês são bem considerados, nós somos desprezados! Até agora passamos fome, sede, frio e maus tratos; não temos lugar certo para morar; e nos esgotamos trabalhando com as nossas próprias mãos. Somos amaldiçoados e abençoamos; perseguidos e suportamos; caluniados e consolamos. Até hoje somos considerados como o lixo do mundo, a escória do universo” (1Cor 4, 9-13)

O Apóstolo afirma ter feito muitas viagens। Nos Atos dos Apóstolos Lucas organizou em quatro, cada viagem possui uma característica.
Na primeira: Deus abriu aos pagãos a porta da fé (14,27). O muro que separava a humanidade desapareceu. O Deus dos cristãos é o Deus de todos. Na segunda: O Evangelho entra na Europa। Um europeu (da Macedônia) apareceu a Paulo numa visão e pediu ajuda (atos 16, 9-10) nasce a primeira comunidade cristã européia. Na terceira: a centralidade é Efeso. Ensina por dois anos na escola de tiranos. “Todos os habitantes da Ásia, judeus e gregos, poderam ouvir a Palavra do Senhor” (At 19, 10b). Aparece ainda um milagre de Paulo, a ressurreição de Êutico. Na quarta: O testemunho de Jesus Cristo chega aos confins do mundo। Escreveu 13 cartas às igrejas por ele fundadas: sete são Paulinas, ou seja, verdadeiramente de sua autoria: 1Tessalonicenses; 1 e 2 Coríntios; Filipenses; Filémon; Gálatas; Romanos. Seis são Deuteropaulinas, ou seja, não se tem certeza se são escritas por ele: Colossenses; Efésios, 2Tessalonicenses; 1 e 2 Timóteo e Tito. A Carta aos Hebreus é certeza que não foi escrita por Paulo.

Paulo teve muitos colaboradores, inclusive mulheres, cerca de 100 pessoas, destacam-se: Barnabé, Timóteo, Tito, Silas, Febe, Áquila, Pricila, Epafras, Sóstenes, Filêmon e outros (Rm 16)
Razões centrais que levaram Paulo a escrever algumas cartas: Romanos: Aprofundar (1, 16) “O Evangelho e a força de Deus para a salvação de todo aquele que crer, judeu ou não judeu”. 1 Coríntios: Uma tentativa de ajudar os cristãos de coríntios, que viviam sérias dificuldades, a ver melhor o que Deus quer deles. Efésios: Tratava a pessoa de Jesus Cristo e a Igreja, seu corpo, composta de judeus e não-judeus formando um só पावो. Tessalonicenses: Segunda vinda do Senhor o fim deste mundo.
A grande paixão de Paulo foi a evangelização, o anúncio de Jesus Cristo, a ponto de dizer: “ai de mim se eu não anunciar o Evangelho”!(1Cor 9-16) Jesus Cristo estava sempre diante dos seus olhos e no seu coração। Aplica a Jesus Cristo tudo o que São João, no início do seu Evangelho, aplica ao Logos. Transfere para Cristo todas as qualificações fundamentais do Pentateuco. Assim, para Paulo, Jesus Cristo é vida, luz, sabedoria, salvação, norma de vida, água viva, fonte de graça e de justificação, Criador do Universo, Filho de Deus, que encarnou por obra do Espírito Santo.

O credo de Paulo é estar com Cristo, viver com Cristo, entrar em comunhão com Cristo, participar no mistério da sua morte e ressurreição, receber o Espírito Santo, conformar-se a Jesus (cristificar-se), unir-se a Jesus e seguir os seus passos até ao ponto de dar a vida, crer na sua Ressurreição।

Nas suas cartas, Paulo afirma que Jesus Cristo está vivo e reconcilia os homens através do Espírito Santo. Cristo traz a salvação ao mundo. A reconciliação dos homens com Deus e entre si é possível e já começou. É através da Igreja que se realiza esta reconciliação.A base da conversão é o encontro pessoal com Jesus ressuscitado, que tem como conseqüência, uma vida nova. De violento e perseguidor dos cristãos, Paulo, passou a Apóstolo de Jesus. Exclama: “para mim viver é cristo”(Fl 1,21). “Eu vivo, Mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CRISE ECONÔMICA: A verdadeira causa.

No presente texto serão desenvolvidas idéias muito mias de um outro personagem do que propriamente minhas, trata-se de uma síntese, a partir da minha compreensão, da aula inaugural da Faculdade São Bento da Bahia 2009, proferida pelo Dr. Rubens Ricúpero, dentre outros cargos e títulos ele é: Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, Ex-ministro da presidência por duas vezes, da Economia e do Meio Ambiente; foi sub-secretario geral e atualmente e consultor da ONU. O tema desenvolvido: O governo Obama e a Crise Internacional.

A primeira reflexão é a de que por traz de tudo que acontece em política e economia encontramos valores. A adesão a determinados valores ou o desprezo a eles definem o rumo destas duas realidades. Tentou-se, portanto, buscar uma compreensão de quais valores estão por traz desta economia em crise.

O doutor tentou seguir a seguinte lógica, falou do fenômeno Norte Americano com o novo governo; qual a conseqüência da crise nos problemas concretos como relações internacionais, mudanças climáticas, comércio internacional; enfim como isso pode nos afetar e como podemos ser parte da solução.

O que tem haver Obama com a crise internacional? Ora, a crise começou nos EUA e não terá fim enquanto o país não tiver uma economia estável, pois os EUA continua sendo, apesar de menos forte do que a tempos atrás, a maior potencia mundial e ainda deve continuar por muito tempo. O motivo não é simplesmente por ele ter a maior economia, melhor força militar, melhor desenvolvimento tecnológico, isso só não bastaria.

Hoje são os “sem números” que definem, são jogos diferentes e jogadores diferentes. O Ex-ministro usa a expressão tabuleiros. Os EUA são os únicos decisivos em todos os tabuleiros: cultura, economia, indústria... eles tem uma grande capacidade de criar símbolos e valores. Por isso são líderes, por isso tem tanto poder concentrado. Porém, não é único e depende de outros poderes, de outros países.

O presidente Buch seguiu uma linha do unilateralismo, achava-se a única potência, capaz de resolver tudo sozinho, foi o seu maior erro. Obama já em seu discurso de posse falou de humildade, saudou a todos os americanos com e sem religião, coisa nunca vista antes. O atual presidente traz algumas características que valem apenas serem olhadas: Foi um brilhante aluno de direito, poderia ter se dedicado a profissão e tornado-se talvez um grande milionário, mas decidiu, ao invés de ganhar dinheiro, o social por vocação; tem experiência com a diversidade, pai africano, padrasto mulçumano, mãe intelectual e professora universitária; cresceu com uma presença muito forte da avó e nos Estados Unidos. Torna-se presidente ainda jovem, com uma virada histórica,, onde pouco tempo antes a própria lei “os condenava” agora um negro é o governador maior do país.

No que refere-se a crise os economistas demonstram na imprensa tecnicamente, e muito bem, como a crise veio a tona. Criou-se hipotecas de risco, bolhas de valorização: uma bolha seria papeis de imóveis e bens que se supervalorizam, acumula-se valores encima de valores, vão sendo vendidos e revendidos na lógica especulativa, é na verdade um valor inexistente. Ora, as bolhas estouraram, os pacotes foram caloteados, atingiu-se diretamente grandes bancos e investidores americanos, que por sua vez, já tinham vendas para a Europa, deste modo, a crise se generalizou, todos foram afetados.

Mas esse tipo de mercado financeiro foi favorecido pelos próprios governos a partir dos anos 80 seu crescimento foi de uma velocidade absurda. Junto a esse crescimento cerce também a desigualdade. Para se ter uma idéia, nos anos 70 um alto executivo ganhava 40 vezes mais que o ganho médio, hoje chega a mais de 370 vezes. Portanto, a raiz social desta crise foi a desigualdade.

Os EUA deixaram de poupar, enquanto isso países asiáticos tornaram-se grandes poupadores; China, por exemplo, poupa até 50% de seus lucros e financia os EUA, que como um “buraco negro” engole tudo produzido no mundo. Foi preciso gerar “bolhas” para continuar a crescer. A criação e manejo das “bolhas” era a própria condição do sistema financeiro. Isso não poderia continuar em um dado momento estas bolhas começaram estourar. O setor financeiro que deveria ser um meio para um fim, tornou-se um fim em si próprio.

O problema agora é: o que se vai colocar no lugar dessas bolhas, não basta sair da crise, ninguém sabe até onde ela vai, mas deve ter um fim. O problema é como terminará essa crise? Voltaremos ao modelo de antes ou com alguma coisa nova? O ideal seria sair da crise construindo um pacto social. O setor financeiro não deve ser um fim em si próprio. O pacto da economia social deve ser fundado em valores e não unicamente no enriquecimento, isso exige naturalmente uma mudança também na política internacional.

Se há um grande desafio na atualidade, é o aquecimento global. Essa é a mãe das ameaças. Buch nunca aceitou essa realidade, Obama já reconhece essa ameaça ambiental.

Nesse particular o Brasil pode ganhar muito. Somos potência ambiental: maior floresta tropical, maior boi-diversidade, mais rico em água potável, usamos o bio-combustível de forma consistente. Por isso o Brasil tem muito a contribuir, não precisamos ser a nação mais rica economicamente, devemos ser uma potência em valores, uma força de vida digna. A vida vivida segundo o bem, segundo os grandes valores: a justiça, o belo, a solidariedade, a humildade, a fraternidade, a amizade e assim tantos valores defendidos e estudados pelos primeiros filósofos por exemplo. Os EUA optaram por uma política ante-valores: cobiça, ambição, competição, egoísmo... Isso, sedo ou tarde, só poderá levar ao caos.

Por fim, diante deste assunto que apesar de ter tanto impacto na vida de todos, parece tão distante e fora do nosso cotidiano, chegamos a perguntar: e nós o que podemos fazer diante disso? Eu diria, temos muito a fazer! Sendo justo nas pequenas coisas, fazendo bem o que nos compete, cultivando honestidade e tantos valores poucos visíveis na sociedade atual e até diria para os que tem fé vamos rezar e aos que não tem sejam homens e mulheres de boa vontade.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

CAPITALISMO E ECONOMIA EM CRISE: Uma visão geral e simplificada.

O mundo assiste e atravessa uma grande crise econômica. Os países noticiam prejuízos e prejuízos. Há duas claras evidencias que derrubaram a economia: a falsa especulação e uma política econômica autodestrutiva.

No que refere-se à especulação, como a própria semântica da palavra expressa, produz-se, investe-se, compra e vende, não o que se tem, nem necessariamente as ofertas valiosas no concreto, mas o que os especuladores apostam ser o melhor. Assim, investe-se “rios de dinheiro”, em algo que não se sabe com clareza o que realmente é, porém, é o que está valendo mais no mercado. Ora, quando há investimentos falsos, equívocos especulativos ou mesmo golpes propositais, o resultado só pode ser grandes baixas econômicas a nível mundial.

Isto se deve pela própria estrutura econômica em vigor. O mercado é único. Ações de um país transitam em um tempo mínimo por vários países. Um grande prejuízo em um país reflete em todos. É o comércio globalizado. É a economia escrava do capital que ela mesma criou. Nesse âmbito está o estopim da crise atual: grandiosas empresas americanas, com suas hipotecas supervalorizadas, abriram falência. Os Estados Unidos sentiram. O mundo inteiro sentiu. A especulação tornou-se realista ou mesmo pessimista; ninguém mais investe, o medo reina, o dinheiro some, ricos ficam pobres.

Portanto, só a partir de uma economia que leve em conta também valores humanos e não simplesmente a lei do lucro pelo lucro e uma especulação mais realista, o capitalismo tornar-se-á menos vulnerável a grandes crises com possibilidades de uma economia bem consolidada.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A CONCEPÇÃO DE PECADO EM LUTERO

Para entender ou aproximar-se do pensamento de Lutero, faz-se necessário adentrar no contexto de sua época e de si mesmo. Á luz da realidade de seu tempo podemos dizer que seu ambiente eclesiástico era sadio e ao mesmo tempo doente, isto é, havia muitos elementos enriquecedores e positivos dentro da Igreja, como também elementos negativos, acarretando sérias dificuldades à própria Instituição.

Lutero reage a essa estrutura negativa, mas é importante ressaltar, que ele não foi o único, temos São Francisco de Assis e Santa Tereza D`Avila, seus contemporâneos. Estes últimos também romperam com as estruturas da época, no entanto, a partir de uma postura coletiva, gerando dentro da própria Igreja um novo modo de ser, sem perder a unidade, tornando-se assim, apesar de encontrar grandes resistências, um grande bem posterior à toda Igreja. Lutero faz uma ruptura muito mais consigo mesmo; sua pergunta fundamental é: Como serei salvo? Ora, é essa a matriz de todo o pensamento luterano. Como o homem será salvo? Como isso vai se dá em mim?

Proponho-me a partir desse momento buscar um entendimento do pensamento deste reformista a cerca do pecado. Lutero vai apresentar sempre um negativismo em relação ao homem pecador, um pessimismo antropológico; o pecado segundo ele é um ato histórico que reduziu a pessoa humana a um estado de corrupção radical e contradição consigo mesmo; o pecado aniquilou a bondade da natureza; o pecado constitui a consciência do homem. O ser humano é “criatura de Deus constituída de corpo e alma viva, feito à imagem e semelhança de Deus, sem pecado, para procriar e dominar sem nunca morrer”. ( Lutero, A Refutação do Parecer de Látamo. 1992, p. 195.) Mas algo muda! Após a queda de Adão, a criatura ficou sujeita ao poder do diabo, ao pecado e à morte. São as conseqüências de sua queda, de sua atividade contra Deus. Essa queda causou um rompimento na ligação entre os humanos e Deus.

Para Lutero a situação fundamental do homem é indigência, ruptura, cisão, desintegração, e alienação consigo mesmo, com os outros e com Deus. O homem é iludido pelo pecado que ele pode se autorrealizar. O pecado é: aversão a Deus e conversão ao homem. O problema é achar-se valioso diante de Deus sem o ser. O homem não tem valor nenhum, pois pelo pecado ele está inclinado para o mal, só pode fazer o mal. O homem só pode pecar. Ninguém é sem pecado. O religioso chega a dizer que até as boas obras terrenas aos olhos de Deus podem ser mal. Para ele a primeira, suprema e mais nobre boa obra é a fé em Cristo.
O reformador falou de pecado capital, pecado radical, pecado original, pecado pessoal; no intuito de mostrar que o pecado está em cada pessoa, não há pecados maiores ou menores, os atos pecaminosos são apenas furtos do pecado: “teu nascimento, tua natureza, e toda a tua essência é pecado, o ser humano está corrompido inteiramente até o fundamento pelo pecado original”. (Lutero, Catecismo Maior. 1997, p. 555)

É graças ao amor de Deus por nós, e só por ele, que podemos ser salvos, Ele oferece o perdão e nos aceita como justos através de Cristo. Resta-nos aceitar o perdão oferecido por Deus. Lutero vai falar de uma luta constante do homem: o “velho Adão” e o “novo Adão”, há algo fundamental nesta luta: o Batismo. A pessoa batizada vive, a um só tempo, na esfera de Adão e na esfera de Cristo. O ser humano é assim, justo e pecador. Justo quando está em Cristo, dele se reveste e confia na sua graça.

Finalmente, segundo Martinho Lutero é Deus em seu infinito amor que envia seu Filho Jesus Cristo para salvar o homem caído em pecado. Resta ao homem guardar os mandamentos de Deus e fazer penitência como ato de arrependimento e mudança de vida, buscando ansiosamente a misericórdia e o perdão de Deus. Sobretudo para nós católicos razoavelmente esclarecidos, torna-se difícil a compreensão de vários temas desenvolvidos por este personagem, o mesmo parece contradizer-se em seus próprios argumentos, todavia, a tentativa aqui foi de dar uma fundamentação básica para o entendimento da concepção de pecado desenvolvida por ele.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

DEUS, RAZÃO E HOMEM

Será possível identificar qual dimensão o homem desenvolve por primeiro: a divina ou a racional? Não trago aqui uma reflexão pronta e acabada, mas será válida para um repensar, opinar e até mesmo opor-se a respeito do escrito.

Darwin na sua teoria da evolução não nos explica a evolução espiritual do Homo Sapiens, fica apenas na dimensão físico-psíquica do homem: o cérebro humano desenvolve-se mais que o cérebro dos outros animais, resultando no decorrer de milhares de anos no que somos hoje. Quando os primeiros homens conseguiram pensar o físico eles também pensavam o divino, o metafísico?

Sabemos que desde os tempos remotos as comunidades humanas viviam e explicavam tudo em sua volta segundo a vontade dos deuses, era o mundo em volta da mitologia, era uma criatividade racional tentando desvendar e fazer o homem, entender o mistério. Os escritos de Homero, por exemplo, nos confirmam isso. Podemos concluir, portanto, que as primeiras civilizações humanas possuíam fortemente a dimensão divina. Se olharmos biblicamente o homem surge numa ação correlacional: Deus e homem. Dentro desta visão o homem racional é intrinsecamente ligado ao homem divino. Não existe homem sem razão nem homem sem Deus; até quando esse mesmo homem tenta negá-lo.

A Razão Evolui, a Concepção de Deus Também.
Como vimos, as primeiras explicações, os primeiros conhecimentos humanos eram simbólicos, alegóricos, mitológicos. Toda existência, todos os acontecimentos eram atribuídos aos deuses. Uma forma de o homem explicar aquilo que apresentava-se como mistério. Desvendar o mistério nos gera interesse, porque o homem não só deseja conhecer, como necessita desse conhecimento. Dar uma resposta, o porquê das coisas. De tal modo, se é próprio do ser humano querer e necessitar do conhecimento, fica mais do que claro que a razão não nasce com o surgimento da filosofia ou com o surgimento da ciência, nasce com o Homo Sapiens. Ou dizendo ainda de um modo bíblico, com Adão e Eva.

O conhecimento humano é essencialmente interpretativo, na tentativa de explicar e desvendar o mistério, o qual, não tem uma resposta unívoca, segura. O mistério no qual estamos mergulhados nos dá sinais, o homem interpreta estes sinais. O que muda é só a modalidade explicativa, a finalidade é a mesma: a hermenêutica, a interpretação. Por mais que se busque conhecer, a existência humana continua mergulhada num mistério. Quanto mais a ciência evolui, mais profundamente mergulhados no mistério estamos.

O grande salto
Lembro nesta ocasião, da possível explanação um pouco simplista, mas gastaria muito tempo, para fazer aqui um texto com toda a riqueza e densidade dos elementos filosóficos dos autores e temas a que vou me referi.
É Tales de Mileto (623-546),o primeiro a construir uma explicação sobre a existência das coisas, o arqué (origem primeira) das coisas, sem recorrer aos deuses. Ele conclui que o princípio de tudo é a água. Observa que em tudo tem umidade, até o calor gera-se do úmido, como a água é o princípio da natureza das coisas úmidas, não há dúvida é gerado a partir da água. Fala-se que muito bem antes dele outras gerações teriam tido a mesma concepção, porém, atribuíram aos deuses Oceano e Tetis como autores da geração das coisas. É essa conclusão de Tales, que o torna o primeiro filósofo. É com ele que nasce a filosofia, foi o primeiro a formular expressa e sistematicamente a pergunta: “qual é a causa ultima, o princípio supremo de todas de todas as coisas?” Por volta do ano 620 aC.; veja o grande passo deste pensador: faz a junção dos fatos e com suas observações intui um novo pensamento. Isso o torna filósofo; ele introduz uma nova forma de racionalidade: a racionalidade filosófica. O pensador parte da hipótese de que deve haver algo de onde tudo vem e para onde tudo vai. Conclui, tudo vem do úmido e tudo volta para o úmido, logo, a água é a “Mãe” de tudo que existe.

Depois de Tales surgem vários outros pensadores tentando explicar o arqué das coisas. Vejamos alguns deles:

Para Anaximandro o responsável pela origem de tudo é algo que ele o denomina de Ápeiron, seria um elemento físico, mas ao mesmo tempo indefinido, indeterminado, ilimitado. Tudo vem dele e tudo volta para ele.

Xenófanes diante da grandiosidade do mistério faz seus questionamentos aos que ousavam explicar. Não há, nem haverá jamais homem algum capaz de alcançar a verdade ultima sobre as ciosas e sobre Deus. Sobre todas as coisas não há senão opinião. Ele é claramente monoteísta: “um só Deus, sumo entre os deuses e os homens, nem por figura nem por pensamento semelhante aos homens”. (Fr. 23)

Parmênides nos fala do Ser, ele demonstra a dimensão paradoxal da nossa linguagem. Nós criamos nossas definições, porém não é nada disso. Para ele: tudo é. O ser é. O ser não pode deixar de ser. Podemos concluir de uma forma bem simples, dentro deste pensamento de Parmênides: Deus é. É o máximo e a melhor definição.

Heráclito por sua vez, parece se contrapor ao pensamento de Parmênides. Referindo-se a Deus ele diz: “O Deus é dia noite, inverno verão, guerra paz, saciedade fome; mas se alterna como fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada” (Fr. 67). Como se vê, Heráclito diz que tudo está fundamentado na dinâmica, na mudança, é nessa mudança constante pela qual tudo existe, é ai que está a base da existência. Não é uma base múltipla, um Deus diverso, é uma unidade, porém dinâmica.

Surge, por conseguinte, os Sofistas, aproveitando-se dos belos pensamentos e conclusões, porém às vezes antagônicos, eles tentam dar a solução. Dizem: todos esses filósofos têm razão e ao mesmo tempo nenhum deles tem razão. Somos nós que criamos a verdade. É melhor dizer todas as coisas são verdades. Ela não existe, é apenas construção cultural e convencional nossa. Deste modo, eles resolviam “tudo”. Quem convencesse melhor estava com a verdade. Como vemos, ai está um relativismo total. Eles são os primeiros filósofos totalmente ateus. Se é que podemos chamar de filósofos.

É Protágoras, filósofo sofista, que cria a famosa frase: “O homem é a medida de todas as coisas”. É dessa forma de pensar tão antiga que nasce a ditadura do relativismo tão presente na sociedade de hoje. Todavia, os Sofistas não foram muito longe, surge posteriormente três grandes mentes e põe por terra o sofismo sistematizando um conhecimento altamente filosófico, o qual, marcou decisivamente a civilização ocidental. Estamos falando de: Sócrates, Platão e Aristóteles.

Os três pensadores nem só desmascararam os sofistas como construíram toda uma gama de conhecimentos. Depois deles foi difícil pensar e descobrir algo que os mesmos já não tivessem pensado.

Sócrates – tem uma posição muito clara: “A verdade não se inventa, a verdade se encontra. Ela já existe”. Ainda reforça: “A maioria pode decidir o que quiser eu obedecerei ao Deus”. Para Sócrates estava claro que existia uma verdade, e era Deus. As convicções dele tinham força não simplesmente por afirmar algo, mas por debater com quaisquer outros que se diziam sábios e colocá-los em contradição, deixá-los sem respostas, assim, Sócrates foi tornando-se conhecido como o maior sábio, se bem que ele não se reconhecia deste modo. Dizia ele: os outros não sabem tudo e acham que sabe. Eu não sei e sei que não sei. Desta maneira, ele sempre buscava conhecer mais, os outros já achavam-se muito sábios, por isso tornavam-se ignorantes, enquanto Sócrates carregava sempre seu mais famoso pensamento consigo: “Só sei que nada sei”.

Platão sendo discípulo de Sócrates é quem torna seu mestre conhecido, pois o mesmo não deixou nada escrito. Platão por sua vez é autor de um dos 100 livros que mais influenciou a humanidade: A República. Escrita há tanto tempo, ainda hoje carrega grandes verdades; muitos dos grandes cientistas políticos da modernidade ainda sistematizam modos de governos sem fugir às regras platônicas. Referindo-se a Deus, Platão o denomina de: o Bem, um bem supremo do qual tudo deriva, inclusive todos os seus escritos filosóficos.

Aristóteles discípulo de Platão, é quem aperfeiçoa e complementa o seu mestre, todavia, essas três personalidades construíram a base do conhecimento e da cultura ocidental. Quando analisou a existência das coisas, Aristóteles fala do Motor Imóvel, antes de tudo existir, já existia algo eterno, imóvel imutável, porém com características de motor, que move sem ser movido, uma força sai dele e gera o movimento da vida, tudo começa do motor, dele sai o impulso primeiro para a vida, depois esse impulso se multiplica e a própria natureza dinamiza e multiplica esta força. Na sua metafísica ele vai mais profundo ainda e fala do: “Ser Primeiro” – eterno, sensível, amável, infinito... Ser do qual existe necessariamente e tudo vem dele, tudo depende dele e tudo volta para ele.

Deus é Imutável
Mais do que uma análise filosófica e histórica ou até uma ascensão do nosso raciocínio. O caminho percorrido até aqui almeja nos levar a uma certeza. O homem sempre pensou. Quanto a isso não temos dúvida, o homem sempre buscou explicações para o que estar e acontece ao seu redor. E sempre conseguiu fazer isto. Entretanto, na existência tem algo misterioso, e esse, por mais que se explique não deixa de ser mistério. Está sempre aberto a novas tentativas de esclarecimentos. Se analisarmos cada formulação, cada conclusão é muito evidente que o pensar humano, a inquietação humana tende a parar em um limite inacessível, por mais que continue buscando, a resposta é sempre a mesma. Os filósofos gregos com essa tentativa acabaram saindo da crença politeísta e mitológica para um monoteísmo filosófico, os pensadores gregos acabaram remontando a algo com características divinas para construir suas bases explicativas.

Dando um salto para o racionalismo científico atual, não é muito diferente, os maiores estudos da NASA, da física moderna... trazem surpresas ainda maiores que no passado: o mundo é tão complexo, tão belo, tão indescritível que escapa ao nosso pobre conhecimento. O mistério continua. Diante de uma postura de fé é muito claro: Deus jamais será entendido em sua plenitude, em sua totalidade. E o que é a existência, senão a manifestação de Deus? Ele será sempre o mesmo, e nós na nossa pequenez racional elaboraremos sempre explicações incompletas, imperfeita; aquilo que dizemos ser Deus, não o é. Não obstante, são explicações, acessível e compreensível a partir de uma atitude de fé, e, não uma fé ingênua, mas rica em conteúdo e significados; atitude que gera em nós uma confiança, uma força e uma harmonia impulsionando-nos a viver vigorosamente e com muitos momentos de felicidade. A atitude de fé dar um maior sentido as coisas. Esse é o homem racional, aquele que dá o porquê das coisas. A depressão, doença tão presente na sociedade de hoje, um dos principais motivos ou sintomas, é justamente a incapacidade de dar um sentido à própria vida.

Finalmente, seja você uma pessoa de fé ou não, você também é parte da majestosa existência, você pensa, você existe, e mesmo que não pensasse também existiria. É impossível alguém viver sem acreditar em nada ou acreditando em tudo. Eu prefiro acreditar neste Ser Maior, vou mais longe ainda, acredito no Deus Cristão, pessoal, Uno e Trino; prefiro acreditar que ele me ama, assim minha vida tem muito mais sentido e sinto-me feliz.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Análise da crítica à religião dos séculos XIX–XX


A critica a religião destes séculos, não nasce do acaso, é inegável que toda essa crítica tem como base, uma série de transformações a nível de descobertas científicas e de pensamentos.
Essa transformação começa com a mudança de concepção sobre o cosmo, que consolida-se com “Galileu e Descartes”, apesar de já ter sido introduzido bem antes com Copérnico. Antes o pensamento científico que imperava era o pensamento dos filósofos gregos, sobretudo Aristotélico. Na religião também havia, de uma certa forma, uma influência do pensamento grego; Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino, aprofunda suas teologias com forte base em Platão (Agostinho) e Aristóteles (Tomás). Percebe-se a existência de uma harmonia entre ciência e religião.
Com a nova visão do cosmo, a geometrização do espaço, a substituição do universo finito pelo infinito e mecânico, o Deus apresentado na Teologia Cristã tornou-se: “desnecessário, improvável, perdeu seu poder absoluto”. Com isso há todo um espaço para o surgimento do ateísmo.
Feuerbach expressa o seguinte: “O que é para a religião o Primeiro, é Deus, (...) o homem, portanto, deve ser estabelecido e pronunciado como o primeiro”. (A Essência do Cristianismo, pp 309-310).
Vê-se, portanto, o homem colocando-se como auto-suficiente e independente de uma força transcendental (Deus). Indo mais além, vários pensadores, com destaque para Freud, vão tentar demonstrar que Deus e religião nada mais é que criação psicológica de cada homem, o qual deve libertar-se disso para estar mais próximo da realidade como tal, ao invés, de viver subordinado a fantasias. Nietzsche por sua vez, vai ainda mais além e combate fortemente à religião, especialmente o Cristianismo; mostrando outros caminhos, afirmando a necessidade da criação de novos valores que fossem mais racionais, pois aquele no qual se embasava todos os valores morais, éticos e religiosos, o próprio homem já tinha destruído “tinha matado Deus”, nesse caso, o homem seria o próprio Deus, o super-homem. Nietzsche escreve: “Nunca houve uma religião que contivesse uma verdade”. (Humano demasiado humano §110). “Permaneceis fieis a terra e não creiais em quem lhes falar de esperanças supra terrenas”. (III, Prólogo, m.3).
Hoje, no entanto, após um século de toda esta crítica, percebe-se que esses pensadores não estavam tão certos, pois apesar de tudo, o fenômeno religioso continua acontecendo. Há uma tendência natural do ser humano em aderir ao transcendente, e conseqüentemente, a religião prevalece como que intrínseca ao homem. Porém é inegável que houve mudanças, sobretudo na pós-modernidade, onde os paradigmas se espalham os mais diversos possíveis. O homem continua religioso no sentido de acreditar em um “Deus”, numa força transcendental, mas não com uma alienação a um Deus determinista como antes, realidade esta que para "os críticos religiosos" é um desastre: usa-se Deus como objeto, à medida que necessita dele, “usa-se depois joga fora”, “é o Deus de Bolso”.
A religião por sua vez, reagiu e reage a essa crítica, mostrando as falhas desses pensadores e que apesar de parecer (argumentos) tudo muito bem elaborados e verdadeiros são grandes equívocos.
A Igreja insiste que a Fé e a razão caminham juntas uma servindo como sustentação para a outra, e que, de forma alguma, a ciência contradiz a fé, mas ao contrário, confirma. Sobre esta temática o Papa João Paulo II escreve claramente mostrando a grade relação existente entre “fé e razão” em sua Carta Encíclica “FIDES ET RATIO”.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

DEFENDER OU DESTRUIR A VIDA?

A Igreja (católica) do Brasil, assim como faz a cada ano, lançou a Campanha da Fraternidade, simultaneamente ao período quaresmal, tempo propício para refletir e repensar nossos gestos, pensamentos e atitudes quotidianos. Neste ano somos convidados a refletir e defender o que há de mais valioso e sagrado na existência: A VIDA. Porém, esse é um tema que está aberto a reflexões e ações em todo tempo.

Há quem diga que, nos dias de hoje, é desafiador “levantar a bandeira” em favor da vida. Mas existe realmente pessoas que são contra a vida?

No mais profundo do ser humano existe na verdade um grande desejo de defender e preservar a vida, a não ser em alguns casos anormais. Vemos, portanto, vários grupos e meios distintos defendendo a vida: Igrejas, movimentos, políticos, estudantes, professores, grupos de favelas, programas de rádio e televisão, sites na internet, uma unanimidade a favor da vida.

Se é assim, por que parece tão desafiador uma campanha em defesa da vida?

O maior problema, me parece, é que cada vez mais, a consciência humana já não consegue distinguir o que é bem e o que é mal. Toda pessoa sensata escolhe a vida, mas dizendo-se defensor da vida, às vezes se provoca muito mais morte. Por isso, para alguns analistas vivemos numa cultura de morte. Matar um feto ou uma criancinha que ainda não nasceu; matar um “velhinho” que já não serve mais, às vezes, só porque não tem mais a energia dos “novos” é visto como ato de amor.

Para defender a vida muitos são totalmente contra o uso e manipulação das células-tronco embrionárias, em defesa da mesma vida muitos são totalmente favoráveis. Semelhante a isso são as realidades do aborto, da eutanásia, do uso de preservativo, violências diversas, agressão ao meio ambiente. Há muita destruição da vida em nome da sua defesa. Vivemos em um momento crítico e decisivo em que a humanidade se vê diante da possibilidade real de auto destruição. O perigo é “em nome do progresso a humanidade se regredir a um estilo de vida de tempos que foram denominados de bárbaros”.

Cada pessoa, por conseguinte, sobretudo nós cristãos, neste momento da história, somos responsáveis e devemos agir em vista não de frear o progresso ou prender as pessoas à nossa forma de pensar, mas para evitar que o pior possa acontecer. O objetivo geral da Campanha da Fraternidade é muito claro: a Igreja e a sociedade devem defender e promover a vida humana, desde sua concepção até a sua morte natural, dom de Deus e co-responsabilidade de todos na busca da sua plenificação. Compromisso ético e de amor fraterno.

Finalmente, em todas as circunstâncias escolhe sempre o caminho da vida em Deus. E este se dar de forma mais plena dentro da Igreja. Sejamos Igreja de Cristo.